segunda-feira, 11 de junho de 2012

Tempo para as nossas crianças


Muitos de nós somos pais e mães. Alguns de nós são já avós, embora estes, como é evidente também sejam pais ou mães… mas neste momento especifico estou a pensar naqueles de nós que ainda têm filhos pequenos, bem pequenos… daqueles que ainda é necessário cuidar! Daqueles que precisam de nós desde que acordam até que adormecem… (é propositado o desde que acordam até que adormecem porque desde que se levantam até que se deitam está muito aquém da realidade!)… é o banho, o vestir, o pequeno-almoço… a brincadeira que sempre se mete pelo meio…. O ter que trocar de roupa ainda antes de sair de casa porque se sujou a tomar o dito pequeno-almoço…

Enfim, aqueles de nós que têm filhos nestas idades sabem bem a que me refiro! Não há dia em não se esgote a paciência… em que não sintamos que não temos tempo nenhum para nós e que precisamos de espaço! Espaço para nós, espaço para pensar, espaço para estar sós… e é aqui que surgem aquelas benditas criaturas conhecidas por avós!

Os avós têm tudo aquilo que nós não temos: tempo para gastar com as crianças, paciência para aturar as suas brigas, birras e brincadeiras, para as levar ao parque ou ao jardim, para lhes contar histórias…. E o tempo que se perde a contar histórias! É que por muito que se queira inovar, ou repetir o modo como foi contada pela última vez, há sempre um pormenor que nos passa despercebido e do qual eles fazem questão de nos lembrar! “Da última vez não foi assim, lembras-te? Disseste que o lobo mau tinha fugido…” “Não, não… eles foram ao circo…” Há sempre qualquer coisa que nos falha! Da qual já nem nos lembramos, mas as sacaninhas parece que fazem questão em fixar tudo só para nos arreliar…

Ainda bem que existem os avós!

Sem trabalho, com todo o tempo e paciência que a idade lhes deu, dispostos a ajudar e, desculpem mas também é muito importante, sem ser necessário pagar-lhes! Por vezes nem sequer precisamos de levantar a criança da cama! A avó trata disso! Que maravilha! Que descanso não termos que nos preocupar com as crianças logo pela manhã! E à noite, quando chegamos a casa cansados encontramos as nossas maravilhosas crianças, já jantadas, já com o banho tomado e prontas para dormir, voltamos a abençoar os avós que tão bem tratam delas. Que as adoram e que tanto nos ajudam!

Felicidade!

Um beijo de boa noite e estão prontas para dormir! E nós para descansar depois de um dia de trabalho, bem cansativo por sinal…

Esta felicidade, este modo passivo de criar os filhos é, cada vez mais, um atributo dos casais modernos. Os filhos nascem e são criados pelos avós, em alguns casos, cada vez mais raros, por empregadas…

E onde fica o nosso papel de pais? A nossa responsabilidade para com os seres que trouxemos ao mundo? O nosso relacionamento com esses seres que, supostamente, são a coisa mais bela que existe?

Quando é que vamos arranjar um tempinho para passar com eles? Brincar com eles? Rir com eles? Correr na areia da praia ou no jardim atrás de uma bola com eles? Quando é que vamos conseguir acompanhar as suas primeiras leituras? O desenvolvimento que eles próprios fazem das histórias que leem?

Poderia continuar com as interrogações. Poderia enumerar muitas outras coisas que deixamos de fazer com os nossos filhos por falta de tempo… “Hoje não, não tenho tempo! Amanhã…”

E quando chegar o “amanhã”? Será que ainda temos as nossas crianças à nossa espera? Que ainda nos vão querer abraçar, ou que ainda pintam a nossa cara com as mãos numa pintura mural para nos oferecer nas datas especiais?

Amanhã pode ser tarde!

Amanhã podemos encontrar à nossa espera, não os nossos filhos pois esses cresceram sem a nossa presença, mas os nossos netos! À espera que lhe demos a atenção que pedem aos pais mas que estes não têm tempo para lhes dar…


AA
11-06-2012

sábado, 9 de junho de 2012

Dia das comunidades portuguesas




Estamos em plena comemoração do feriado nacional de 10 de junho “ Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”. Este dia considerado um tributo à data do falecimento de Luís Vaz de Camões em 1580 é um dos feriados que não pode desaparecer. É que para além de comemorar os feitos passados do povo lusitano serve também para relembrar os milhões de portugueses que vivem fora do seu país natal.

Um pouco de história: 10 de junho começou por ser o dia de Camões, que representava o génio da pátria; Portugal na sua dimensão mais esplendorosa e mais genial… O Estado Novo considerou que a data era apropriada para comemorar “o dia da raça” com o qual pretendia exaltar a raça do povo português entendida de uma forma geral, global. A originalidade e a capacidade dos portugueses.

A Terceira República converteu-o, a partir de 1978, no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas…

Longe vai o tempo em que nos órgãos de comunicação social surgia repetidamente o slogan “vá para fora cá dentro”. Atualmente não é necessário recorrer a técnicas publicitárias pois são os próprios governantes a recomendar aos portugueses que saiam do seu país. Considerando a conjuntura em que o país se encontra penso que devemos dar ouvidos a quem tão bem dirige os destinos nacionais. Todos nós devemos dar uma oportunidade a que os nossos governantes tenham êxito na sua missão de fazer crescer as comunidades portuguesas por esse mundo fora!

Não só os jovens devem emigrar como também os adultos e os mais velhos. Cada jovem que saia representa menos um licenciado à procura de emprego. Cada adulto que acabe por conseguir uma reforma fora do país significa menos um encargo para o estado. Os idosos podem perfeitamente ir viver para um outro qualquer país onde tenham familiares… De preferência devem sair legando ao estado os seus haveres e as suas pensões… Os familiares que assumam os encargos pela sua sobrevivência…

Se todos o fizermos o número de jovens à procura de emprego (em Portugal) diminui consideravelmente. O número de adultos que por qualquer motivo tenham perdido o seu emprego é também reduzido, logo, a taxa de desemprego irá sofrer uma enorme descida…  a celebração do dia das comunidades portuguesas ganhará um novo impacto atendendo ao crescente número de comunidades por esse mundo fora!

Deste modo, vamos ajudar Portugal! Vamos criar a maior comunidade de portugueses fora do seu país. 

Vamos…

Vamos com calma! Ou ainda corremos o risco do dia 10 de junho não poder ser comemorado em Portugal por neste apenas restarem os governantes e os poucos imigrantes que ainda o consideram melhor do que o seu país de origem…


AA
09-06-2012

sábado, 2 de junho de 2012

Ontem foi o dia mundial da criança...



Foi um dia em que vi muitos grupos de crianças, um deles preparava-se para almoçar o que cada um tinha levado de casa e ... partilhavam!

Não é nada de mais dirão! As crianças são assim mesmo. Partilham, são amigas, companheiras, sinceras...
Se há algo que me toca nas crianças é a sua sinceridade e o modo como entregam a sua amizade sem pedir nada em troca! O modo como sabem escolher as amizades. Não aceitam qualquer um como amigo, logo, têm menos tendência a abandonar os que acolhem no seu grupo! Quando aceitam alguém são altruístas e capazes de tudo por um amigo…

É fácil magoar uma criança! No entanto é difícil que elas venham a guardar rancor de quem as magoa...
Mais uma das suas capacidades… estão sempre dispostas a dar uma segunda oportunidade!

A acreditar que não foi intencional, que apesar de tudo, quem a magoou não queria de facto fazê-lo. Que continuam a gostar delas. Que voltarão a ser amigos...

Quantos de nós mantêm essas capacidades? Quantos conservam a criança que há em si? Quantos ainda são capazes de dar uma segunda oportunidade ou de tentar compreender os porquês de quem os ofendeu ou magoou?

Diria que cada vez menos…

Num mundo em que as atitudes infantis, tomadas por pessoas com idade para serem consideradas adultas, ocorrem cada vez com mais frequência e em que é fácil ouvir dizer que estão a “soltar a criança que há em nós” são cada vez menos os que ainda conservam a capacidade de criar amizades. Amizades reais, sinceras, daquelas em que se pode dizer bem ou mal. Em que o amigo serve, não só para nos aplaudir, como para nos criticar. Em que se nos magoam tentamos compreender os porquês antes de recriminar.

Perceber as causas, os motivos, o estado em que quem nos magoou se encontrava quando o fez.

Num mundo de amizades cada vez mais virtuais abandonar um amigo é fácil. Até porque a probabilidade de nos cruzarmos com ele (na rua, na escola, no local de trabalho…) e de sermos levados a repensar a atitude que tomamos é mínima! Quantas amizades existem sem que saibamos quem é de facto a pessoa por detrás da imagem que apresenta? Do seu perfil público? Das suas necessidades, gostos ou anseios? …

No fim do dia, quando ia para casa, deparei-me com um pai com uma criança ao colo… nada de mais: era dia mundial da criança! Mas esta, apesar do seu aspeto perfeitamente normal, era uma daquelas crianças que se convencionou designar de “especiais”…

Quanta força de vontade, quanto amor, quanta entrega e disponibilidade é exigida aos pais destas 
crianças…

Num dia que pretende ser o dia mundial da criança, vêem-se muitas iniciativas destinadas a grupos de crianças. Vêem-se muitas crianças nas ruas, nos jardins, para todo o lado que nos viremos iremos dar com uma criança…

Neste dia, como em todos os outros aliás, não nos devemos esquecer da criança que há (ainda?) em nós. Mas estes dias servem também para pensar que aquelas crianças (as crianças especiais) também vão crescer… vão deixar de ser crianças…

Mas vão continuar a ser especiais…

AA
02-06-2012