sábado, 2 de junho de 2012

Ontem foi o dia mundial da criança...



Foi um dia em que vi muitos grupos de crianças, um deles preparava-se para almoçar o que cada um tinha levado de casa e ... partilhavam!

Não é nada de mais dirão! As crianças são assim mesmo. Partilham, são amigas, companheiras, sinceras...
Se há algo que me toca nas crianças é a sua sinceridade e o modo como entregam a sua amizade sem pedir nada em troca! O modo como sabem escolher as amizades. Não aceitam qualquer um como amigo, logo, têm menos tendência a abandonar os que acolhem no seu grupo! Quando aceitam alguém são altruístas e capazes de tudo por um amigo…

É fácil magoar uma criança! No entanto é difícil que elas venham a guardar rancor de quem as magoa...
Mais uma das suas capacidades… estão sempre dispostas a dar uma segunda oportunidade!

A acreditar que não foi intencional, que apesar de tudo, quem a magoou não queria de facto fazê-lo. Que continuam a gostar delas. Que voltarão a ser amigos...

Quantos de nós mantêm essas capacidades? Quantos conservam a criança que há em si? Quantos ainda são capazes de dar uma segunda oportunidade ou de tentar compreender os porquês de quem os ofendeu ou magoou?

Diria que cada vez menos…

Num mundo em que as atitudes infantis, tomadas por pessoas com idade para serem consideradas adultas, ocorrem cada vez com mais frequência e em que é fácil ouvir dizer que estão a “soltar a criança que há em nós” são cada vez menos os que ainda conservam a capacidade de criar amizades. Amizades reais, sinceras, daquelas em que se pode dizer bem ou mal. Em que o amigo serve, não só para nos aplaudir, como para nos criticar. Em que se nos magoam tentamos compreender os porquês antes de recriminar.

Perceber as causas, os motivos, o estado em que quem nos magoou se encontrava quando o fez.

Num mundo de amizades cada vez mais virtuais abandonar um amigo é fácil. Até porque a probabilidade de nos cruzarmos com ele (na rua, na escola, no local de trabalho…) e de sermos levados a repensar a atitude que tomamos é mínima! Quantas amizades existem sem que saibamos quem é de facto a pessoa por detrás da imagem que apresenta? Do seu perfil público? Das suas necessidades, gostos ou anseios? …

No fim do dia, quando ia para casa, deparei-me com um pai com uma criança ao colo… nada de mais: era dia mundial da criança! Mas esta, apesar do seu aspeto perfeitamente normal, era uma daquelas crianças que se convencionou designar de “especiais”…

Quanta força de vontade, quanto amor, quanta entrega e disponibilidade é exigida aos pais destas 
crianças…

Num dia que pretende ser o dia mundial da criança, vêem-se muitas iniciativas destinadas a grupos de crianças. Vêem-se muitas crianças nas ruas, nos jardins, para todo o lado que nos viremos iremos dar com uma criança…

Neste dia, como em todos os outros aliás, não nos devemos esquecer da criança que há (ainda?) em nós. Mas estes dias servem também para pensar que aquelas crianças (as crianças especiais) também vão crescer… vão deixar de ser crianças…

Mas vão continuar a ser especiais…

AA
02-06-2012

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