sábado, 15 de setembro de 2012

Cientistas portugueses



Em tempo de crise e suas consequências, passam-nos ao lado notícias importantes que nada têm a ver com ela mas com a grandeza dos portugueses. Sinais de empreendedorismo, de dedicação, de valor dos nossos jovens que, na Europa e no Mundo, vão ganhando prestígio e valorizando o que de melhor Portugal tem: as suas gentes.

É o caso dos nossos cientistas que, em Portugal e no mundo, vão sendo cada vez mais reconhecidos. Mariana Gomes de Pinho, investigadora, ganhou recentemente uma bolsa europeia para estudar a parede celular das bactérias. Outras bolsas foram concedidas a jovens cientistas para desenvolvimento dos seus projetos, António Moreira Alves desenvolve um projeto sobre fluídos complexos; Maria Goreti Ferreira Sales, sobre marcadores de cancro; Maria Mota, sobre a forma como os parasitas sentem os nutrientes. Jovens investigadores que irão contribuir para o desenvolvimento da comunidade científica portuguesa e mundial.

Está na altura do governo português olhar para os nossos jovens. Investir na sua formação, conceder apoios, ao contrário de os sobrecarregar com propinas, proporcionar-lhes condições que os cativem a trabalhar em Portugal contribuindo desse modo para o desenvolvimento de que o país tanto necessita.

AA

15-09-2012

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A dor e a culpa



Todos nós já passamos por situações mais ou menos difíceis...

Mais ou menos desgastantes, desmotivantes ou que, de um modo ou de outro, nos causaram constrangimento, dor, sofrimento...

Para muitos de nós há por detrás destas situações um suporte de apoio a que nos habituamos a chamar família, amigos… grupos que, de um modo mais ou menos presente, mais ou menos consistente nos apoiam! 

Há no entanto aqueles que não podem contar com ninguém!...

Famílias afastadas, desmotivadas ou que, por motivos diversos, se distanciaram e com os quais não podem contar nos momentos mais críticos!

Situações acontecem em que os que deveriam proporcionar o tão ansiado apoio se sentem incapazes de o fazer! 

Talvez porque detetem um sentimento de dor tão profundo que não saibam como o abordar! 

Talvez porque eles próprios também estejam a sofrer e não se sintam com capacidade de prestar apoio… 

Talvez por falta de interesse!

As causas ou os motivos não são o mais importante...

O que conta nestas situações é que nos vemos sozinhos.

Sem forças para continuar e sem motivos que nos levem a desistir de uma vez por todas! 

O que resta então? 

O que fazer? 

A quem recorrer?

E se, para além do sentimento de perda, se aliar um forte sentimento de culpa? Se considerarmos que fomos o principal, o único culpado da perda que sofremos? 

Que forças serão necessárias para enfrentar uma situação que, de perda, dor , luto, sofrimento, passa a ser de culpa...

Culpa pela perda

Culpa pela dor

Culpa pelo luto

Culpa pelo sofrimento…

A consequência mais evidente é a depressão!

Há no entanto, e por inacreditável que possa parecer, alguns que não se podem “dar ao luxo” de cair em depressão! 

Porque têm filhos. 

Porque têm responsabilidades a que não podem deixar de responder!...

Não há tempo nem disposição para viver! Mas também não há tempo nem disponibilidade para morrer!

Resta sobreviver.

De um modo quase vegetativo. 

De um modo que poderá ser considerado como um “coma”! 

Para todos os efeitos a pessoa está viva... Mas não tem vida! 

O que pode despertar uma pessoa que entra numa situação de “coma mental”? Ou, talvez, “coma emocional” Se é que podemos utilizar o termo...

Quanto tempo pode este “coma” durar? 

Meses? 

Anos?

Quando por fim passa (se é que passa)… a cura é permanente ou pode ter recaídas?

A importância de viver a dor, o sofrimento, o luto, de mitigar a culpa é relevada para segundo plano. 

Não há tempo nos tempos que correm para perder tempo com questões consideradas insignificantes.

Não há tempo..., e quando esse tempo chega é por vezes tarde de mais.

As dores que se poderiam atenuar com o tempo, vão crescendo com ele. 

As pequenas mágoas vão-se anexando às já existentes até formarem uma torrente tão forte, tão intransportável que chega a atingir proporções devastadoras...


AA

03-09-2012



sábado, 1 de setembro de 2012

Tempo para sofrer



Na realidade dos nossos dias tempo é uma coisa que quase ninguém possui. 

Não há tempo para os filhos. 

Não há tempo para os idosos. 

Não há tempo para nos divertirmos. 

Não há tempo para vivermos as nossas dores, os nossos medos, fazer os nossos lutos.

Quando perdemos alguém há sempre quem nos aconselhe a esquecer. A seguir em frente. “A vida continua”, dizem. É preciso reagir, dizem, mergulhar no trabalho, divertir-se com os amigos. Ignorar a dor até que esta se canse e desapareça de vez! 

A voz do povo, que muitos dizem ter sempre razão, garante que o tempo tudo apaga! Que com o tempo a dor diminui acabando por desaparecer. 

Puro engano! 

A dor tem que ser vivida!

Só sofrendo, chorando, desabafando o que há a desabafar, desesperar se for caso disso é que esta acabará por ir diminuindo até se transformar numa suave recordação...

Os anos passam mas o tempo não esquece / e a cada dia a dor amanhece  e ao amanhecer está cada vez mais forte.

Mais viva. 

Mais dolorosa pois em vez de diminuir aumenta com o tempo. 

Uma dor não sofrida, um luto não chorado, aumenta com as pequenas dores, os pequenos lutos que se vão acumulando com o tempo e transformando-os em algo cada vez maior. 

Não há prazo para sofrer! 

Não há um tempo útil para se viver uma dor...

Cada um terá o seu tempo próprio. 

O seu modo de vivenciar uma perda. 

Cada qual encontrará o modo como encarar os seus medos, as suas dores, os seus lutos... o que não adianta é adiar a dor. 

Adiar o choro, o desespero. 

Nada cura a dor a não ser a própria dor. 

Não pensar em alguém que partiu, que morreu, não vai fazer com que o esqueçamos. 

Vai, isso sim, alterar as recordações que guardamos na memória.

Transformá-las...

Aumentá-las...

Até ao momento em que um pequeno descuido... 

Um pormenor insignificante... 

Algo que vemos, ouvimos ou mesmo até que pensamos, as vai fazer ressurgir... 

Mais fortes, transformadas, vivas!...

E aí o sofrimento será bem mais doloroso!

AA
01-09-2012