segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A dor e a culpa



Todos nós já passamos por situações mais ou menos difíceis...

Mais ou menos desgastantes, desmotivantes ou que, de um modo ou de outro, nos causaram constrangimento, dor, sofrimento...

Para muitos de nós há por detrás destas situações um suporte de apoio a que nos habituamos a chamar família, amigos… grupos que, de um modo mais ou menos presente, mais ou menos consistente nos apoiam! 

Há no entanto aqueles que não podem contar com ninguém!...

Famílias afastadas, desmotivadas ou que, por motivos diversos, se distanciaram e com os quais não podem contar nos momentos mais críticos!

Situações acontecem em que os que deveriam proporcionar o tão ansiado apoio se sentem incapazes de o fazer! 

Talvez porque detetem um sentimento de dor tão profundo que não saibam como o abordar! 

Talvez porque eles próprios também estejam a sofrer e não se sintam com capacidade de prestar apoio… 

Talvez por falta de interesse!

As causas ou os motivos não são o mais importante...

O que conta nestas situações é que nos vemos sozinhos.

Sem forças para continuar e sem motivos que nos levem a desistir de uma vez por todas! 

O que resta então? 

O que fazer? 

A quem recorrer?

E se, para além do sentimento de perda, se aliar um forte sentimento de culpa? Se considerarmos que fomos o principal, o único culpado da perda que sofremos? 

Que forças serão necessárias para enfrentar uma situação que, de perda, dor , luto, sofrimento, passa a ser de culpa...

Culpa pela perda

Culpa pela dor

Culpa pelo luto

Culpa pelo sofrimento…

A consequência mais evidente é a depressão!

Há no entanto, e por inacreditável que possa parecer, alguns que não se podem “dar ao luxo” de cair em depressão! 

Porque têm filhos. 

Porque têm responsabilidades a que não podem deixar de responder!...

Não há tempo nem disposição para viver! Mas também não há tempo nem disponibilidade para morrer!

Resta sobreviver.

De um modo quase vegetativo. 

De um modo que poderá ser considerado como um “coma”! 

Para todos os efeitos a pessoa está viva... Mas não tem vida! 

O que pode despertar uma pessoa que entra numa situação de “coma mental”? Ou, talvez, “coma emocional” Se é que podemos utilizar o termo...

Quanto tempo pode este “coma” durar? 

Meses? 

Anos?

Quando por fim passa (se é que passa)… a cura é permanente ou pode ter recaídas?

A importância de viver a dor, o sofrimento, o luto, de mitigar a culpa é relevada para segundo plano. 

Não há tempo nos tempos que correm para perder tempo com questões consideradas insignificantes.

Não há tempo..., e quando esse tempo chega é por vezes tarde de mais.

As dores que se poderiam atenuar com o tempo, vão crescendo com ele. 

As pequenas mágoas vão-se anexando às já existentes até formarem uma torrente tão forte, tão intransportável que chega a atingir proporções devastadoras...


AA

03-09-2012



Sem comentários:

Enviar um comentário