terça-feira, 16 de outubro de 2012

Cem por cento verdade



Não se pode ser demasiado sincero

Não se pode ser cem por cento verdadeiro

Não se pode confiar cegamente nas pessoas

Não enquanto as não conhecermos bem. Enquanto as não conhecermos a cem por cento! 

Mas quando é que conhecemos alguém assim? Nunca, diria! Nunca sabemos até que ponto conhecemos as pessoas. Nunca sabemos até que ponto podemos usar a sinceridade com quem nos rodeia. Nunca devemos ser completamente verdadeiros. Nunca podemos confiar totalmente.

Porque a sinceridade destrói a amizade. A verdade assusta, magoa e nem sempre deve ser dita. A confiança é um pau de dois bicos que nunca sabemos quando será usada contra nós. Devem ser usadas com moderação. Devemos, antes de nos servirmos de qualquer uma delas, conhecer as pessoas. Saber qual a percentagem de cada uma que podemos utilizar. Até que ponto podemos ir. Quanto podemos dizer. Até onde a confiança nos deixa chegar…

Caso contrário seremos os primeiros a sofrer. Mas não os únicos! Seremos quem mais perde. Mas não os únicos! Seremos os levados a desconfiar. Mas não os únicos! Seremos o causador do sofrimento. Mas não os únicos!...

Ao não conhecermos cem por cento aqueles com quem somos sinceros, verdadeiros, aqueles em quem confiamos de um modo absoluto, corremos o risco de perder um amigo. De destruir o que apenas pretendíamos consolidar. De levar a que nos acusem de falsidade. De não acreditarem em nós. De perderem a confiança. De nos temerem…

Num mundo em que a sinceridade, a verdade e a confiança são bens cada vez mais raros, há que usa-los com moderação. Caso contrário, em vez de encontrarmos amigos…

Resta-nos a solidão!


AA
16-10-2012

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