sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Eternidade com o Facebook...





Navegava pelo Facebbok  tentando responder aos pedidos de amizade apresentados quando lhe chamou a atenção um nome na lista das amizades sugeridas. O nome só por si nem sempre é suficiente para identificar corretamente a pessoa e no lugar da foto de perfil encontrava-se uma imagem. Na lista de amizades constavam diversos amigos em comum o que a fez considerar tratar-se da pessoa certa. 

Invadida por uma onda de nostalgia acedeu à página no intuito de confirmar se era de facto quem pensava e encontrou a confirmação. Os álbuns de fotografias, algumas tiradas no serviço, outras na corporação de bombeiros a que pertencia não deixavam margem para dúvidas.

Veio-lhe à lembrança uma manhã de primavera em que, ao deslocar-se para a faculdade, o telemóvel tocou e desejou não atender. Acordara de manhã ao som de mensagem e as notícias não tinham sido agradáveis. A filha de uma das suas melhores amigas acabara de sucumbir ao cancro que lhe fora detetado há cerca de dois anos. Talvez por isso, ou se calhar por isso mesmo, atendeu a chamada. 

Depois de um breve cumprimento a voz do outro lado da linha disparou a pergunta:

- Olha, tu conhecias o Jorge, não conhecias?

O simples facto da forma verbal ser utilizada no passado alarmou-a. Conhecia o Jorge, claro. Trabalharam juntos durante três anos e meio e sempre fora um excelente colega. Cumpridor, competente, sempre disposto a colaborar com as colegas e, como poderia esquecer? um bom cozinheiro. Nas noites em que estavam escalados era ele muitas vezes quem cozinhava e levava o jantar.

Pois bem, o Jorge, aquele Jorge alegre e bem-disposto, aquele Jorge sempre disponível para os amigos, aquele Jorge que para além do serviço militava numa corporação de bombeiros e ainda conseguia tempo para trabalhar no INEM, aparecera morto naquela manhã sozinho dentro do seu apartamento. Os pormenores eram ainda escassos. Assim que soubesse de mais alguma coisa entraria em contacto.

Ficou desolada. Duas mortes no mesmo dia. Duas pessoas que conhecia e por quem nutria grande simpatia acabavam de partir no auge da juventude…

Incapaz de continuar desligou a internet enquanto grossas lágrimas lhe corriam pela face.

Até quando o seu nome continuará a surgir nas sugestões de amizade das páginas do Facebook ?

Até quando continuará ali, a sorrir para os colegas de trabalho? 

A confraternizar com a corporação de bombeiros?

Até quando irá continuar “vivo” nas páginas da Internet?


AA

Out. 2012

1 comentário:

  1. Infelizmente esta é uma situação recorrente...
    Não sei se existem mecanismos que permitam ao Facebook desativar contas, mas mesmo que existam talvez só aconteça ao fim de determinado tempo de inatividade...
    Neste contexto, continuamos no Facebbok mesmo para além da morte...

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