sábado, 20 de outubro de 2012

If I die



Recentemente escrevi um artigo sobre a eternidade no Facebook. A verdade é que cada vez mais utilizamos o Facebook e todas as facilidades que este nos dá, sem que muitas vezes as conheçamos muito bem. A propósito desse mesmo artigo comentava comigo uma amiga que teve que ser ela a cancelar uma amizade pois era-lhe doloroso continuar a te-la ativa depois do falecimento da pessoa em questão… Há data perguntava-me até quando continuaríamos vivos no Facebook …

Pois bem, numa manhã em que a vontade de trabalhar é escassa e em que decidi navegar um pouco à deriva pela Internet, encontrei uma solução que vem de encontro a esta minha questão. Uma aplicação que permite que, em caso de morte, esta seja conhecida pelo Facebook e pela comunidade de todos os nossos amigos virtuais!

Ninguém espera morrer. Ninguém quer despedir-se de tudo quanto tem. Tudo quanto espera vir a ter. Tudo quanto deseja ainda alcançar. Ninguém se encontra preparado. Ninguém se quer verdadeiramente preparar. Ninguém acha que será o próximo. Até porque isso significaria um pouco desligar-se da vida. Desligar-se da família. Desligar-se do futuro. 

No entanto a vida é o hoje. O futuro, além de incerto, não existe. Por muito que queiramos, por muito que tentemos, não o conseguimos alcançar. Adiamos projetos. Conjeturamos o que queremos vir a ser. A fazer. O que desejamos alcançar no futuro… 

E damos connosco a alcançar um eterno hoje. Um hoje que se atualiza. Que muda conforme as circunstâncias. Conforme as ocasiões. Conforme as vitórias, derrotas ou consequências do que fizemos ontem, mas que não passa disso mesmo. HOJE. Hoje é o nosso dia. Hoje concretiza a nossa vida. Resume, condensa, conserva o nosso passado. Molda, condiciona, direciona o futuro que se vai eternamente resumir a um hoje com passado. 

A utilização da aplicação em questão pode ser considerada um pouco mórbida! De mau gosto até. Mas se pensarmos que muitos de nós fazem testamentos. Que muitos querem ver as suas vontades cumpridas depois da morte. Que divulgamos aos nossos amigos virtuais desde os mais ínfimos sentimentos até aos nossos maiores anseios… A sua utilização ganha sentido.

Se nos preocupamos com a comunidade de amigos virtuais. Se contamos com eles nas ocasiões em que precisamos de emitir um desabafo. De celebrar uma vitória. De expressar os nossos sentimentos… Então a utilização desta aplicação é válida. 

Os mesmos amigos que estão ao nosso lado nas nossas pequenas e/ou grandes manifestações de alegria, de júbilo, de pesar ou de tristeza, adquirem assim o direito de se despedirem de nós. De saberem que deixamos de estar presentes, não porque quisemos. Não porque os abandonamos. Mas porque chegamos ao fim de uma etapa. 

Da etapa final…


AA
20-10-2012

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