sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Nothing else Matters



Desde que fora trabalhar para aquela zona da cidade, há cerca de um ano, que se sentia em paz consigo mesma. As antigas preocupações, as suas dores e problemas foram-se desvanecendo lentamente como que absorvidas pelas águas do rio. Todos os dias passeava pelas suas margens ao som de músicas que ia descobrindo na internet. Algumas do seu tempo de juventude. Outras autenticas descobertas que lhe interessavam e lhe transmitiam a sereneidade que há muito procurava.

As águas calmas do rio, os barcos que passavam, gaivotas a voar e até mesmo o multicolorido das pessoas e das vozes com que se cruzava funcionavam como um balsamo que, lentamente, lhe invadia a alma.

Naquele dia as águas mostravam-se ligeiramente agitadas, como se preconizassem o desencadear de uma tempestade. Não se viam pessoas a passear. O silencio e a solidão envolviam-na num abraço profundo...

Constatou que mesmo as gaivotas que sempre por ali andavam pareciam ter desaparecido.

Escolheu um banco de frente para as águas e sentou-se a pensar nas horas e nos dias que já ali passara. Nos antigos amigos dos quais quase nada sabia. Nos novos que ainda não fizera. No que, dali para a frente, a vida lhe traria. Ao longe vislumbrou um barco que se afastava. Provávelmente de pescadores. Era normal estarem por ali àquela hora!

Aproximou-se da margem e o ondolar da água embalou-a. A calma invadiu a sua alme e saltou...

Foi um funeral simples onde apenas compareceram algumas pessoas de família.

AA

out. 2012

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