segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Quem nunca errou...



Errar é humano! 
Errar é humano ...  Até aqui tudo bem. O que contesto é que seja um exclusivo humano. Nem só os homens erram, que o digam as baleias que, de vez em quando, amaram numa praia sem recursos para daí saírem. Que o digam os anúncios nos jornais que falam de animais domésticos que se perdem dos seus donos…
Errar pode ser humano. Mas não é um exclusivo do homem. O que é exclusiva é a consciência do erro. 
O assumir que se errou e que se quer emendar a falha! Pedir desculpas quando o erro cometido envolveu alguém para além de quem erra. Recorrer a ajuda, caso essa seja necessária, para colmatar o erro…
Assumir o erro… a consciência de que se errou e de que se necessita alterar algo. Pedir desculpas. Melhorar! Estas são medidas exclusivamente humanas. Mas, paralelamente a estas há outras que permitem que as mesmas sejam validadas. 
Não adianta pedir desculpas se do outro lado não há ninguém para desculpar. Não podemos esperar perdão se não há ninguém para perdoar… é difícil melhorar quando não há ninguém que nos aponte as falhas...
Saber assumir um erro. Saber quando parar. Quando mudar de atitude… É humano! 
Saber compreender um erro. Saber quando dizer a alguém que pare. Saber quando ou como perdoar… É humano!
Conseguir fazê-lo… é extraordinário! Ultrapassa os limites da humanidade…
Só tendo sofrido se entende o sofrimento alheio. Só tendo errado se aceita que o outro erre. Só tendo pedido e conseguido perdão, se consegue perdoar… 
Mas, nada disto será possível se não tivermos uma outra capacidade que parece ser um exclusivo da humanidade…
A capacidade de memória…
A capacidade de nos lembrarmos dos nosso erros. De recordarmos as nossas dificuldades. De reviver o modo como fomos perdoados… Sem isso não seremos capazes de compreender e aceitar os erros. De desculpar. De perdoar… de “dar a mão”…
Afinal Quem nunca errou que atire a primeira pedra…
AA

26-nov-2012

domingo, 25 de novembro de 2012

Dia cinzento...



O cinzento invade o dia. E como cinzento que é invade a ternura, a alegria, a saudade! O cinzento impera por toda a parte! 

Não há chuva nem sol. Não há forma de ver o horizonte. Não há passado. Não há futuro…

Tudo se limita à existência de um muro. Palpável. Medível. Mesurável… Um muro que alicerça a existência. Que isola. Que marca a diferença.

Não há chuva nem sol. Não há saída ou ternura. Não há sentimentos. Não há loucura… 

Só esquecimento. Tudo parece desaparecer. Perder efeito ou sentido. Tudo se isola do mundo. Tudo se torna escondido…

Não há chuva nem sol. Não há visibilidade aparente. Não há sombras. Não há escuridão. Não há fugas... Não há perdão…

Apenas melancolia. A tristeza da noite que não sendo noite não consegue ser dia...

Não há chuva nem sol. Não há sons. Não há silêncio. Não há vontade de falar. De gritar ou de calar…

Fica a espera. O desejo que o cinzento se esbata. Que a vida encontre uma saída. Que saia… bata com a porta!

Não há chuva nem sol. Não há saída ou precipício. Não há quedas. Não há hospício…

A espera torna-se loucura… Espera pela luz. Espera pela escuridão… definam o dia! Deem-lhe uma razão!


AA
25-nov-2012

sábado, 24 de novembro de 2012

Um dia de chuva...



Num dia de chuva tendemos a ficar em casa. A adiar projetos. Saídas. Decisões. Tendemos a esperar que passe. Amanhã será melhor… Amanhã, se não chover, saímos. Retomamos a vida. Os desejos. Os anseios. As ilusões.

A chuva serve de desculpa. Tal como a crise. Tal como qualquer contratempo que se nos depare no caminho! É melhor esperar. Esperar que passe. Esperar que melhore. Esperar…

A vida , no entanto, não se compadece com esperas. Mesmo em dias de chuva as coisas acontecem. Mesmo em dias de chuva temos que comer. Temos que sair. Temos que amar. Temos que respirar… Temos que continuar!

A chuva, tal como a crise, é ultrapassável! Há que tomar cuidados. Claro! Há que tomar medidas. Não restam dúvidas! Há que ultrapassar barreiras que não são postas num dia de sol! Há que criar alternativas. Não é porque o dia amanhece chuvoso que desistimos de viver. Não é porque a chuva nos impede de ir à praia que não nos podemos divertir. Há alternativas! Há coisas que podem ser feitas e que até se podem revelar interessantes. Até mesmo agradáveis! 

A crise, mais do que a chuva, limita-nos os movimentos. Ficamos sem saber o que fazer. Esperamos... 

Esperamos que passe e que alguém faça alguma coisa para debelar uma crise para a qual não contribuímos. Que não nos diz diretamente respeito. Que não foi provocada por nós e, como tal, não nos sentimos responsáveis por minorar…

Não devemos pensar em minorar a crise, tal como não devemos pensar em como parar a chuva. 

Não devemos sentir-nos sufocados pela crise. Tal como não podemos sentir-nos limitados pela chuva! 

Uma e outra limitam-nos os movimentos. Uma e outra são ultrapassáveis. Ou pelo menos minoráveis… 

Uma e outra podem causar mais ou menos impacto. Mais ou menos constrangimentos conforme o modo como as enfrentamos. Se, num dia de chuva, decidimos que é um bom dia para ir ao cinema com as crianças ou com os amigos (ou mesmo sozinhos), e que mesmo assim pode vir a ser um dia agradável. Se num dia de chuva decidimos convidar os amigos e dar uma festa em casa. Se num dia de chuva decidimos que é a altura ideal para assistirmos àquele filme que há muito queríamos ver mas para o qual nunca conseguíamos tempo...

Então também somos capazes de encontrar maneira de contornar a crise. Não de a controlar pois, tal como a chuva, não nos compete a nós controlá-la. Mas de contorná-la! De conviver com ela. De conseguir maneiras de a minorar e de sair dela com a sensação de missão cumprida. De que, de um modo ou de outro, valeu a pena. De que foi algo que nos engrandeceu e contribuiu para o nosso crescimento…

Depende de nós. Só de nós!

Cada um terá o seu modo de ultrapassar a crise tal como cada um escolhe o modo como vive um dia de chuva! Cada um terá a sua solução. Sendo que todas as soluções são válidas quando positivas. 

Cada um a viverá de um modo diferente. 

Claro! Isso é evidente. Ainda que todos escolhêssemos um filme para ver num dia de chuva, dificilmente escolheríamos o mesmo! 

As diferenças existem. As opções também! As soluções, essas, terão que ser encontradas. Cada um encontrará a sua e, possivelmente, todas serão diferentes.

Há que enfrentar a crise tal como se enfrenta um dia de chuva. Há que a encarar, não como uma calamidade, mas como algo natural. Algo que acontece como uma continuidade!

O inverno depois de um outono ao qual se seguirá uma primavera. Por vezes agreste, é verdade. Mas que culmina sempre no verão...



AA
24-nov-2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Há dias assim



Há dias assim!

Há dias em que parece que tudo nos acontece. Há dias em que não devíamos sair de casa. Que devíamos encontrar um buraco sem fundo onde pudéssemos entrar sem medo de ser descobertos. Há dias em que, desde que acordamos, tudo parece correr mal.

Um dia de chuva. Um dia em que o autocarro não aparece a horas e nos faz chegar tarde ao trabalho. Em que o chefe parece ter tirado o dia para implicar connosco e põe defeitos em tudo quanto fazemos ou dizemos. Em que os colegas encontram pequenos (ou grandes) pormenores que servem para nos diminuir…

Há dias em que pensamos “porquê a mim?”. Há dias em que de boa vontade trocávamos com o mais miserável dos seres só para não sermos quem somos.

Mas depois surge aquele momento em que, desvairados pela rua, encontramos alguém que nos sorri! 

Que não nos conhece de lado nenhum, mas sorri. Um sorriso que nos é dirigido. Um cumprimento. Uma pequena palavra de ânimo que, sem saber, nos faz sentir importantes. Nos faz sentir que valeu a pena passar por tudo quanto se passou para encontrar aquele sorriso. Em que nos abriga com o seu chapéu-de-chuva porque nos vê a ficar encharcados. Em que nos acompanha durante parte do caminho, sem sequer perguntar para onde vamos e sem se dar ao trabalho de dizer que vai no direção oposta. Que nos deixa num ponto de abrigo e volta para trás, para, finalmente seguir o caminho que interrompeu para nos acompanhar. Para nos abrigar da chuva que por acaso até é fria.

Há dias assim. 

Que começam mal. Que nos fazem sentir o mais desgraçado entre os humanos mas que termina de um modo agradável. 

Que nos mostra que, de entre todas as adversidades, ainda podemos encontrar algo de bom. 

Que ainda há SERES HUMANOS á nossa volta!

AA
21-nov-2012

domingo, 18 de novembro de 2012

Medidas restritivas....



Há dias, a falar com um amigo, disse-lhe que uma colega estava doente e que provavelmente nem voltaria ao trabalho. 

As recentes medidas governamentais de que ouvimos falar são por vezes assustadoras. Os cortes anunciados, na saúde, na educação, na função pública… Nenhum corte é real até que de facto aconteça. Não temos perfeita consciência das dificuldades a não ser quando nos deparamos com elas. Por enquanto ainda não são visíveis. Por enquanto limitam-se a meros anúncios. A algo que se lê nos jornais, que se ouve na rádio ou na televisão.

Por enquanto ainda não nos afetam. 

Há dias falei com um amigo sobre uma colega. Disse-lhe que estava doente e que provavelmente não voltaria ao trabalho… Não volta…

Há uns meses, poucos, essa colega estava no ativo e quando soube que um amigo meu  precisava de emprego prontificou-se a ajudar. Na empresa onde trabalhava estavam a recrutar pessoal e, todos sabemos, uma palavra vale por vezes mais do que um bom currículo. Nessa altura não se proporcionou. Nessa altura as condições que exigiam não se adequavam ao perfil desse amigo. Agora as condições mudaram. Agora talvez conseguisse dar essa tal palavra. Esse empurrão de que todos reclamam mas que todos procuram. O abrir de uma porta que, até poderia não vir a servir para nada, mas que sempre seria uma porta aberta.

Há uns meses, poucos, essa colega sentiu-se mal. Uma indisposição que nem sequer parecia ser muito grave mas que a levou ao médico. Exames, análises, uma parafernália de papéis, de correrias, de mais exames e ainda mais exames… e um diagnóstico: cancro! 

Atualmente, e apesar das dificuldades, quando é detetado cancro os médicos, e toda a equipa técnica,  envidam todos os esforços para salvar a pessoa. Mesmo quando é detetado num grau tão avançado. 

Neste momento uma pessoa a quem é detetado cancro, sabe que não vai ter mais paz. Que não vai ter mais saúde. Que não vai ter mais tempo para nada até que este seja tratado. Até que todas as possibilidades de tratamento sejam esgotadas. Sabe que vai passar os dias a correr de exame para exame. Sabe que, provavelmente terá que ser operada. Sujeitar-se a quimioterapia. A radioterapia. A uma outra qualquer “… rapia”, até que se esgotem todas as possibilidades.

Sabe que pode lutar contra a doença e que terá toda uma equipa de especialistas a lutar consigo.

Nem sempre o final é a vitória! Nem sempre se consegue vencer! Nem sempre se chega a tempo! Mas no final fica uma certeza. Ninguém desistiu. Ninguém deixou de envidar todos os esforços só porque o fim era previsível. Todos lutaram… até ao fim. Até à derrota!

Com tantas medidas restritivas, continuará esta luta a ser possível?


AA
19-11-2012