sábado, 3 de novembro de 2012

Conselhos de amigo...


Dizem que se os conselhos fossem bons, vendiam-se. Não se davam. Penso que é verdade. No entanto todos temos tendência a opinar sobre a vida alheia. A dizer o que faríamos se estivéssemos no lugar do outro. A julgar sem esperar ser julgados... 

Que a vida é difícil todos estamos de acordo. Que as decisões a tomar são por vezes complicadas ninguém duvida. Mas também sabemos que chega uma altura em que temos que decidir. De fazer algo que de início se afigura impossível. De seguir em frente…

Há conselhos que devem ser seguidos. Amigos que, desinteressadamente ou porque realmente se interessam, se preocupam, nos compreendem, são capazes de nos auxiliar nas decisões importantes que temos que tomar. Difícil é, por vezes, descobrir estas pessoas e aproximarmo-nos. Abrirmo-nos. Dar largas às nossas preocupações, aos nossos anseios e confiar. Nem sempre quem está mais próximo consegue alcançar a dimensão do problema. Nem sempre aqueles que estamos habituados a ter ao nosso lado têm a visão suficientemente clara para nos entender. Para aceitar as nossas angústias. Para nos guiar na decisão que deve realmente ser tomada! Por vezes encontramos essa ajuda, essa capacidade de resposta, em amigos que embora aparentemente mais distantes, estão perto o suficiente para nos entenderem. Para vivificarem o problema e nos orientarem na sua solução. 

Claro que nem sempre compreendemos. Nem sempre aceitamos. Nem sempre vemos que nos estão a ajudar… e aí surge a revolta. A sensação de tudo o que dizem é errado. Que a ajuda que nos oferecem não é a que precisamos. Que não nos conhecem o suficiente… 

E acabamos por magoá-las. Por fazer com que se sintam invasores de um espaço em que nunca pediram para entrar. Quantas vezes nos afastamos (ou afastamo-los a eles). Quantas vezes terminamos com relacionamentos que consideramos incómodos só porque realmente foram capazes de entender o nosso dilema? De ver mais fundo do que nós próprios fomos capazes de ver? Quantas vezes só mais tarde compreendemos que afinal estavam certos sem no entanto sermos capazes de o aceitar? De reconhecer o nosso erro? De agradecer a amizade, a compreensão, a ajuda?

Num mundo cada vez mais egocêntrico. Cada vez mais virado para o próprio. Onde cada vez mais nos isolamos do outro e nos sentimos independentes, capazes, autossuficientes o risco de perder amizades pelo simples facto destas serem sinceras, reais, interessadas, cresce cada vez mais.

Num mundo de independência intelectual de conhecimento… corremos o risco de perder a confiança no próximo. Porque nos sentimos capazes. Autossuficientes. Independentes. Conhecedores da verdade...

É difícil entender que, por vezes, o modo como os outros nos veem consegue ser diferente do nosso. Diferente mas nem por isso menos objetivo. Diferente mas nem por isso menos real. Diferente mas, muitas vezes, mais exato do que a nossa visão de nós próprios…


AA
03-nov-2012

1 comentário:

  1. Será que consigo comentar ?
    Se publicar... uma excelente reflexão.
    Bjs

    Ju Pina

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