quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Há dias assim



Há dias assim!

Há dias em que parece que tudo nos acontece. Há dias em que não devíamos sair de casa. Que devíamos encontrar um buraco sem fundo onde pudéssemos entrar sem medo de ser descobertos. Há dias em que, desde que acordamos, tudo parece correr mal.

Um dia de chuva. Um dia em que o autocarro não aparece a horas e nos faz chegar tarde ao trabalho. Em que o chefe parece ter tirado o dia para implicar connosco e põe defeitos em tudo quanto fazemos ou dizemos. Em que os colegas encontram pequenos (ou grandes) pormenores que servem para nos diminuir…

Há dias em que pensamos “porquê a mim?”. Há dias em que de boa vontade trocávamos com o mais miserável dos seres só para não sermos quem somos.

Mas depois surge aquele momento em que, desvairados pela rua, encontramos alguém que nos sorri! 

Que não nos conhece de lado nenhum, mas sorri. Um sorriso que nos é dirigido. Um cumprimento. Uma pequena palavra de ânimo que, sem saber, nos faz sentir importantes. Nos faz sentir que valeu a pena passar por tudo quanto se passou para encontrar aquele sorriso. Em que nos abriga com o seu chapéu-de-chuva porque nos vê a ficar encharcados. Em que nos acompanha durante parte do caminho, sem sequer perguntar para onde vamos e sem se dar ao trabalho de dizer que vai no direção oposta. Que nos deixa num ponto de abrigo e volta para trás, para, finalmente seguir o caminho que interrompeu para nos acompanhar. Para nos abrigar da chuva que por acaso até é fria.

Há dias assim. 

Que começam mal. Que nos fazem sentir o mais desgraçado entre os humanos mas que termina de um modo agradável. 

Que nos mostra que, de entre todas as adversidades, ainda podemos encontrar algo de bom. 

Que ainda há SERES HUMANOS á nossa volta!

AA
21-nov-2012

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