domingo, 18 de novembro de 2012

Medidas restritivas....



Há dias, a falar com um amigo, disse-lhe que uma colega estava doente e que provavelmente nem voltaria ao trabalho. 

As recentes medidas governamentais de que ouvimos falar são por vezes assustadoras. Os cortes anunciados, na saúde, na educação, na função pública… Nenhum corte é real até que de facto aconteça. Não temos perfeita consciência das dificuldades a não ser quando nos deparamos com elas. Por enquanto ainda não são visíveis. Por enquanto limitam-se a meros anúncios. A algo que se lê nos jornais, que se ouve na rádio ou na televisão.

Por enquanto ainda não nos afetam. 

Há dias falei com um amigo sobre uma colega. Disse-lhe que estava doente e que provavelmente não voltaria ao trabalho… Não volta…

Há uns meses, poucos, essa colega estava no ativo e quando soube que um amigo meu  precisava de emprego prontificou-se a ajudar. Na empresa onde trabalhava estavam a recrutar pessoal e, todos sabemos, uma palavra vale por vezes mais do que um bom currículo. Nessa altura não se proporcionou. Nessa altura as condições que exigiam não se adequavam ao perfil desse amigo. Agora as condições mudaram. Agora talvez conseguisse dar essa tal palavra. Esse empurrão de que todos reclamam mas que todos procuram. O abrir de uma porta que, até poderia não vir a servir para nada, mas que sempre seria uma porta aberta.

Há uns meses, poucos, essa colega sentiu-se mal. Uma indisposição que nem sequer parecia ser muito grave mas que a levou ao médico. Exames, análises, uma parafernália de papéis, de correrias, de mais exames e ainda mais exames… e um diagnóstico: cancro! 

Atualmente, e apesar das dificuldades, quando é detetado cancro os médicos, e toda a equipa técnica,  envidam todos os esforços para salvar a pessoa. Mesmo quando é detetado num grau tão avançado. 

Neste momento uma pessoa a quem é detetado cancro, sabe que não vai ter mais paz. Que não vai ter mais saúde. Que não vai ter mais tempo para nada até que este seja tratado. Até que todas as possibilidades de tratamento sejam esgotadas. Sabe que vai passar os dias a correr de exame para exame. Sabe que, provavelmente terá que ser operada. Sujeitar-se a quimioterapia. A radioterapia. A uma outra qualquer “… rapia”, até que se esgotem todas as possibilidades.

Sabe que pode lutar contra a doença e que terá toda uma equipa de especialistas a lutar consigo.

Nem sempre o final é a vitória! Nem sempre se consegue vencer! Nem sempre se chega a tempo! Mas no final fica uma certeza. Ninguém desistiu. Ninguém deixou de envidar todos os esforços só porque o fim era previsível. Todos lutaram… até ao fim. Até à derrota!

Com tantas medidas restritivas, continuará esta luta a ser possível?


AA
19-11-2012

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