sábado, 24 de novembro de 2012

Um dia de chuva...



Num dia de chuva tendemos a ficar em casa. A adiar projetos. Saídas. Decisões. Tendemos a esperar que passe. Amanhã será melhor… Amanhã, se não chover, saímos. Retomamos a vida. Os desejos. Os anseios. As ilusões.

A chuva serve de desculpa. Tal como a crise. Tal como qualquer contratempo que se nos depare no caminho! É melhor esperar. Esperar que passe. Esperar que melhore. Esperar…

A vida , no entanto, não se compadece com esperas. Mesmo em dias de chuva as coisas acontecem. Mesmo em dias de chuva temos que comer. Temos que sair. Temos que amar. Temos que respirar… Temos que continuar!

A chuva, tal como a crise, é ultrapassável! Há que tomar cuidados. Claro! Há que tomar medidas. Não restam dúvidas! Há que ultrapassar barreiras que não são postas num dia de sol! Há que criar alternativas. Não é porque o dia amanhece chuvoso que desistimos de viver. Não é porque a chuva nos impede de ir à praia que não nos podemos divertir. Há alternativas! Há coisas que podem ser feitas e que até se podem revelar interessantes. Até mesmo agradáveis! 

A crise, mais do que a chuva, limita-nos os movimentos. Ficamos sem saber o que fazer. Esperamos... 

Esperamos que passe e que alguém faça alguma coisa para debelar uma crise para a qual não contribuímos. Que não nos diz diretamente respeito. Que não foi provocada por nós e, como tal, não nos sentimos responsáveis por minorar…

Não devemos pensar em minorar a crise, tal como não devemos pensar em como parar a chuva. 

Não devemos sentir-nos sufocados pela crise. Tal como não podemos sentir-nos limitados pela chuva! 

Uma e outra limitam-nos os movimentos. Uma e outra são ultrapassáveis. Ou pelo menos minoráveis… 

Uma e outra podem causar mais ou menos impacto. Mais ou menos constrangimentos conforme o modo como as enfrentamos. Se, num dia de chuva, decidimos que é um bom dia para ir ao cinema com as crianças ou com os amigos (ou mesmo sozinhos), e que mesmo assim pode vir a ser um dia agradável. Se num dia de chuva decidimos convidar os amigos e dar uma festa em casa. Se num dia de chuva decidimos que é a altura ideal para assistirmos àquele filme que há muito queríamos ver mas para o qual nunca conseguíamos tempo...

Então também somos capazes de encontrar maneira de contornar a crise. Não de a controlar pois, tal como a chuva, não nos compete a nós controlá-la. Mas de contorná-la! De conviver com ela. De conseguir maneiras de a minorar e de sair dela com a sensação de missão cumprida. De que, de um modo ou de outro, valeu a pena. De que foi algo que nos engrandeceu e contribuiu para o nosso crescimento…

Depende de nós. Só de nós!

Cada um terá o seu modo de ultrapassar a crise tal como cada um escolhe o modo como vive um dia de chuva! Cada um terá a sua solução. Sendo que todas as soluções são válidas quando positivas. 

Cada um a viverá de um modo diferente. 

Claro! Isso é evidente. Ainda que todos escolhêssemos um filme para ver num dia de chuva, dificilmente escolheríamos o mesmo! 

As diferenças existem. As opções também! As soluções, essas, terão que ser encontradas. Cada um encontrará a sua e, possivelmente, todas serão diferentes.

Há que enfrentar a crise tal como se enfrenta um dia de chuva. Há que a encarar, não como uma calamidade, mas como algo natural. Algo que acontece como uma continuidade!

O inverno depois de um outono ao qual se seguirá uma primavera. Por vezes agreste, é verdade. Mas que culmina sempre no verão...



AA
24-nov-2012

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