sábado, 17 de novembro de 2012

Vida própria…



Dizia alguém, há dias, a propósito de um colega “…isso quer dizer que não tem vida própria!”… 

Que não tem vida própria?… Mas... há um modelo de vida?

Não se podem parametrizar vidas. Por muito que consideremos que nossa corre bem, esta não serve de bitola para medir a dos que nos rodeiam… 

Há vidas mesuráveis? Há uma vida certa, exemplar, que deva ser seguida em todas as suas atitudes e opções? Há vidas que possam ser consideradas insignificantes? Sem sentido? Que não mereçam ser vividas ou que devessem ser mudadas só porque não se adequam aos nossos próprios parâmetros? 

Há pessoas que vivem no limite. Que arriscam diariamente e se envolvem em grandes aventuras. Há as que preferem o conforto e o sossego do lar e da família. Há os que vivem sozinhos. Que mergulham na profundidade de pensamentos e atitudes solitárias. Há os altruístas, que dedicam a sua vida aos outros… 

Qual o modelo certo? Que tipo de vida seguir para que se possa dizer de alguém que “tem vida própria”? 

Quem fez de cada um de nós juízes da vida dos outros? Quem nos deu o poder de dizer o que está certo ou o que é errado? 

Quantas vezes se descobre que afinal, os que pareciam mais alegres, mais sociáveis, mais participativos, são (ou foram) infelizes. Insatisfeitos. Revoltados com e contra a vida! Quantas vezes, eles próprios, comentam que seriam capazes de trocar tudo pelo estilo de vida que realmente gostariam de ter.

Quantas vezes ouvimos dizer a respeito de pessoas que viveram sozinhas. Que sempre se isolaram do mundo e dos outros: “viveu feliz” “morreu em paz”? 

Não há quem não tenha vida própria! Há estilos de vida! Não há modelos certos ou errados. O que há são opções. Opções que são ou não são tomadas. Opções que são ou não são possíveis. 

Há atitudes perante a vida. Há quem goste ou se contente com o que tem e há os que querem sempre mais. 

Há quem se sinta feliz com o que consegue da vida e que por isso mesmo não se dê ao trabalho de analisar se os outros são ou não felizes e há os que, por não conseguirem atingir a felicidade, por não se darem por satisfeitos com o que têm, discorrem sobre vidas alheias.

Há os que olham para os outros na esperança de que lhes falte um pouco mais do que o que lhes falta a eles próprios. Que, mesmo que se sintam infelizes com a vida que levam, não o reconhecem. Que são capazes de viver em função do marido, da mulher ou dos filhos. Mas que, perante quem tem opções de vida diferentes afirmem “não tem vida própria”… 


AA
17-11-2012

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