sábado, 29 de dezembro de 2012

Para um bom ano de 2013...



É um lugar-comum dizer-se que é das dificuldades que nasce o engenho!

Sejamos pois engenhosos. Não nos deixemos abater pelas dificuldades preconizadas para o novo ano que se avizinha!

Não é fácil. Mas as dificuldades existem exatamente para nos testarem e obrigarem a superarmo-nos a nós próprios. 

Se cada um tiver a capacidade para se superar e, de arrasto, “puxar” um pouco pelos seus amigos, conhecidos, ou mesmo “dar a mão” a alguém que, não sendo conhecido, necessite de ajuda, conseguiremos ultrapassar barreiras!

Às medidas já tomadas o governo quer acrescentar outras. Os salários reais vão diminuir. As dificuldades a que já estamos habituados e os aumentos que se verificam em cada iniciar de um novo ano vão ser, desta vez, maiores. Mais duras. Mais inultrapassáveis…

A fama de que somos um povo engenhoso terá que ser justificada. Afinal não foi por acaso que desbravamos mares. Que conquistamos continentes. Que ensinamos novos povos…

A cada dificuldade soubemos responder com bravura. Com engenho. Com coragem.

Mais uma vez somos postos à prova. Mais uma vez deparamo-nos com o Adamastor. 

Mais uma vez teremos que mostrar ao mundo que não nos deixamos naufragar. Que vamos conseguir dobrar este “cabo das tormentas” e transformá-lo num “cabo de boa esperança”. 

Esperança num futuro melhor. Esperança de que seremos capazes de superar esta crise e construir um futuro melhor para os nossos filhos. 

Porque eles o merecem!

Porque pelas nossas crianças somos capazes de ultrapassar o inultrapassável!

Porque são elas, as nossas crianças, as primeiras a “dar-nos a mão”. São elas as primeiras e acreditar no futuro. A acreditar em nós!

Não podemos desiludi-las.

Não podemos simplesmente desistir só porque as coisas estão difíceis. 

Afinal, somos um exemplo a seguir…



Adelina Antunes
30-dez-2012

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Noite de consoada



Lembro-me do Natal de criança!...

Durante o dia a azáfama era muita. Apanhar o pasto para os animais. O musgo para a construção do presépio… 

Já se senti a o cheiro a fritos e ainda eu, a minha mãe e irmãos andávamos a trabalhar. A preparação para a consoada começava no final do dia. Depois de todo o trabalho feito. Dos animais tratados. De assegurar o pasto para lhes dar no dia seguinte…

Só à noite se começavam os preparativos. A minha mãe e a minha irmã mais velha tratavam da cozinha e das sobremesas. Aletria. Rabanadas. Arroz doce. Bolinhos de gerimum…

O meu pai e os mais pequenos faziam o presépio. 

Antes ainda tínhamos que apanhar o musgo, mas essa era uma aventura de que gostávamos. Sabíamos onde o procurar. Sabíamos onde era mais denso, mais alto, mais fofo… Conhecíamos todos os recantos. Sabíamos onde apanhar o azevinho e onde este tinha as bagas mais bonitas. Conhecíamos cada monte e floresta…

O presépio era construído na noite de Natal. Para o berço do menino usávamos uma casca de gerimum, que o meu pai recortava e que cravejávamos de espigas de centeio. Essas existiam à farta, não fosse uma casa de lavradores…

No vão da janela da cozinha iam crescendo os montes, os vales e as montanhas que davam forma ao presépio. A árvore de Natal era construída com um ramo de pinheiro cortado das nossas próprias árvores. Quase sempre o meu pai e os meus irmãos eram quem tinha o privilégio de o escolher. De o cortar e de o levar para casa.

Sabíamos que eramos dos últimos, senão mesmo os últimos, a construir o presépio mas não nos importávamos. Era um momento importante de convívio entre o meu pai e os “miúdos”. Quase sempre ele acabava por ralhar connosco. Quase nunca concordava com as nossas opiniões, tal como quase sempre prevalecia a dele…

A minha mãe preparava a ceia e ia “pondo água na fervura” das discussões que surgiam. 

Bacalhau cozido com batatas. Bacalhau frito. Bacalhau assado… Tudo quanto a tradição exigia e que era feito ali, na hora, enquanto o presépio crescia…

Na lareira, as pinhas de pinheiro manso aqueciam para que se pudessem extrair os pinhões. Estes, por vezes quase torrados, serviam para o serão. Um serão onde se jogava à raspa a pinhões e em que se bebia café! Café muitas vezes aromatizado com aguardente. Até as crianças tinha direito a este “manjar”. Pela noite dentro, jogava-se até que vencidos pelo sono nos íamos deitando. Na manhã seguinte era dia de acordar cedo para a missa de Natal. Depois, só depois, tínhamos as prendas para abrir. Presentes singelos. Simples. Pobres. Mas que nos agradavam! A certeza de que o menino Jesus ali tinha passado durante a noite para os deixar, era o suficiente para nos deixar felizes…

Cresci e as coisas mudaram.

O menino Jesus deixou de trazer os presentes dando lugar ao Pai Natal. Os bolinhos de gerimum deram lugar aos fritos de abóbora. O montar do presépio na noite de Natal deixou de existir, tal como o meu pai já não existe…

As tradições mudam. Tal como as pessoas. Tal como as crenças. Tal como os anseios e as alegrias…

Continua no entanto a ser Natal. Tempo de paz. De alegria e de convívio familiar. A família também mudou. Agora sou eu a mãe. Agora sou eu a responsável pelo fazer das sobremesas. Não faço aletria, tal como não faço as variedades de bacalhau que a minha mãe fazia. Os meus filhos não apanham o musgo nem conhecem os montes nem as florestas… Na cidade tal não é possível…

O presépio é montado bem mais cedo, pelo que a consoada perdeu muita da sua tradição. Outras tradições vão nascendo. Vão-se enraizando. Outras tarefas são acometidas a cada um de nós…
Prevalece no entanto algo que já então existia…

O amor familiar. A vontade de estar juntos e de celebrar uma época de amor. De paz. De confraternização…

E frases, como a que hoje os meus filhos me disseram:

Lembra-te que tens dois filhos lindos…”

Feliz Natal


Adelina Antunes
24-dez-2012


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Natal



Não o devia fazer!

Não se deve falar de Natal a não ser que se sinta esta época a cem por cento!

Vivemos numa época em que o significado de Natal deixou de ser o de uma época de amor, de partilha, de transferência de sentimentos para se transformar numa época de consumismo…

Não gosto das compras de natal. Não gosto do consumismo nem do despesismo que caraterizam esta quadra… Não gosto do natal. Não deste natal que apenas serve para incentivar o comércio de presentes inúteis com que se tentam mascarar sentimentos que não estão presentes durante o resto do ano.

Não consigo gostar deste natal que nos leva a comprar o que queremos e o que não desejamos. A presentear quem, de outro modo não faríamos…

Não consigo entender esta necessidade de se mostrar! De receber ainda mais do que dar! Em exigir que nos ofereçam algo, quando sabemos que nem sequer o merecemos…

Gostava de poder gostar do natal. Um Natal com letra maiúscula. Onde prevalecessem os sentimentos. Onde não fosse necessário esperar por presentes. Onde não fossem necessários os presentes. Onde o que realmente contasse fosse o amor. A partilha. Os sentimentos…

Um Natal que pudesse, realmente ser festejado em família. Sem quezílias. Sem questões que sempre aparecem e que nem sempre têm solução. Um Natal em que fossemos de facto unidos pelo amor. Em que, em vez de presentes se oferecessem ações. Ações que visassem a união. O entendimento. A compreensão.

Um NATAL

… com amor!



AA
21-dez-2012

sábado, 15 de dezembro de 2012

Comentários no Facebook



Há sempre alguma coisa no Facebook que merece a nossa atenção. 

Que nos leva a clicar no “gosto” ou a tecer comentários. 

Eu faço isso! 

Quase todos o fazemos. No entanto há alturas em que deveríamos pensar duas vezes antes de o fazermos. Certos comentários têm o condão de magoar aquele a quem é dirigido. Ou mesmo indignar quem o lê!

Por natureza sou impulsiva. Escrevo o que sinto, tal como nas conversas orais digo aquilo que me vai na alma! Já por diversas vezes magoei com os meus comentários. Já ofendi. Já indignei…

Não deixei de tecer comentários. Não sou mais comedida no que digo ou no que escrevo. Este é o meu modo de ser e, por muito que tente, continuo a magoar com a minha impulsividade. Continuo a dizer ou a escrever demasiado depressa. Sem pensar antes. Sem parar para ler o que escrevi e “pôr-me no lugar do outro”… 

Consequentemente continuo a magoar. A ofender. A indignar quem lê os comentários demasiado impulsivos que escrevo. 

Por vezes a consciência de que fui longe de mais leva-me a apagar o que escrevi o que faz com que a pessoa visada, caso me tenha respondido, fique com uma resposta a algo que não existe. A não ser que se aperceba e também ela apague o comentário ao meu comentário…

Demasiado confuso? Nem por isso… 

Se escrevemos algo que depois nos apercebemos que não foi correto. Que foi indelicado ou que de algum modo ofendeu o visado, podemos sempre apagá-lo. Por vezes vale mais uma resposta a um comentário que já não existe do que mantê-lo ativo…

Outra solução, esta muito mais correta e que me foi aconselhada por um bom amigo, é não comentar de qualquer maneira. Citando as suas palavras: “Se não tens nada de bom a dizer, não digas nada!” Nem sempre sigo este sábio conselho. No entanto são cada vez mais as vezes em que, ao comentar, me lembro dele e do que então me disse. São cada vez mais as frases que depois de escritas são apagadas em vez de serem divulgadas. 

Afinal, ele tem razão. Se não temos nada de bom a dizer, porquê pronunciarmo-nos? Por acaso consideramo-nos melhores, mais perfeitos que os outros utilizadores do Facebook? 

As possibilidades de “gostar” ou “não gostar” estão consideradas no Facebook. Podem e devem ser utilizadas se apenas gostaríamos de mostrar que gostamos (ou não) de algo que por lá encontramos. Os comentários podem, e devem, ser ponderados, pois é muito fácil magoar que lê! 

Por escrito é muito “cómodo”, dizer-se o que se pensa sem ponderar até que ponto estaremos ou não a ser cruéis, ofensivos ou impertinentes. E depois de escrito, é muito difícil “apagar” o que foi dito!

AA
15-dez-2012

Ser velho

Afinal o que é ser velho?

Com que direito criticamos o modo como cada um envelhece?

Há inúmeras crianças diferentes. Jovens e adolescentes existem milhares de tipos...

Por muito que pense no assunto, cada vez me convenço mais que este é um campo ainda muito pouco explorado.

Não há um "estilo" próprio. Não há uma idade a partir da qual "somos velhos"!

Não vejo como se pode dizer que um velho não pode ser alegre!

Não entendo o porquê de um idoso não poder rir, brincar, jogar ou gostar de coisas que, os agora jovens gostam...

Digam-me qual o padrão de velhice. Mas digam-me também o porquê de um velho ter que ter este ou aquele perfil predefinido... e digam-me quem o definiu... Afinal uma pessoa com 30 anos, quando comparada com uma criança é um velho. Mas com os mesmos 30 anos, se comparado com alguém na casa dos 60 é uma criança...

Ninguém pode, ou deve, dizer como se deve ou não envelhecer.

Não há criança, adolescente, adulto ou idoso ideal. A ideologia é um conceito vago e os conflitos, as lutas, são o que nos faz crescer como seres humanos. O não aceitarmos a nossa condição, o não querermos ser apenas aquilo que somos, é o que nos faz desenvolver.

A humanidade nunca se aceitou tal qual como é. Os seus conflitos, as suas lutas interiores são o que a tem feito crescer e desenvolver.

Alguém que se aceite, tal qual com o é, estagna! É o facto de não nos aceitarmos tal como somos que nos faz seguir em frente.

Procurar novos rumos. Tentar alcançar o que ainda não conseguimos.

Se na velhice quisermos continuar a lutar por isso, força!

A debilidade acrescida existente na velhice pode ser, e é com certeza, um fardo acrescido. Pode provocar atitudes mais insensatas ou mesmo infantis. Mas esse é um problema de doença e não de velhice.

Repito: não há um modelo de velhice. Não há um "velho" ideal, tal como não há um adulto ideal.

Não há modelos!

Cada um de nós é diferente do outro. Se existir um milhão de pessoas, existe um milhão de modelos diferentes, mas se existirem 100 000 000 milhões de pessoas, essas continuarão a ser todas diferentes.

O mesmo acontece com os idosos. São todos diferentes. Logo cada um vivência a velhice à sua maneira e não temos o direito de dizer como cada um deve enfrentar o modo como envelhece.

O que temos que fazer é continuar a respeitar cada um como ser humano único e especial que sempre foi e que continua a ser!

Adelina Antunes
15-dez-2012
 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O pior que nos pode acontecer




O pior que nos pode acontecer?

Sentir!

Nascemos para sentir! Nascemos a chorar e se o choro não aparece há logo alguém que se revolta e este acontece!

Choramos de revolta. De angústia. De desilusão. Choramos pelo que perdemos e pelo que não sabemos se vamos encontrar. Choramos porque sabemos que na vida vamos sofrer…

Cada sonho. Cada amizade. Cada amor. Cada paixão. Vão trazer-nos sofrimento. Acabar em desilusão.

Amizades perdidas. Sonhos desfeitos. Amores ultrajados outros maltratados…

Cada sentimento tem sempre o mesmo fim. Quando bem pesado, deixa-nos mais tristes, faz-nos sofrer… 

Sempre. Até morrer!

Se não existissem sentimentos nada disto acontecia. Persistia a razão. Vivíamos com a cabeça, pondo de lado o coração. 

Teimamos em lutar por sentimentos mais agradáveis. Lutamos por alegrias. Por amores. Por fantasias…

Pura ilusão. No fim o que resta é o sofrimento. Todos os outros se esbatem no tempo!

E na noite da vida, quando os vamos pesar. Quando os vamos medir. Temos uma mão vazia e a outra a pedir!

As rugas aparecem. Cada uma, um sofrimento. Os cabelos brancos confirmam o desalento trazido pelo tempo. 

Contamos ternuras. Contamos amizades. Contamos paixões. Contamos ilusões…

E todas juntas, bem apertadinhas, cabem numa mão, assim, bem juntinhas!

Resta-nos a memória, apanágio da razão, que apaga sentimentos. Suprime as faltas. Esbate desilusões. Mascara os sentimentos. Transforma-os com o tempo. Engana-nos. Ilude-nos. Num ludibriar de sentidos que nos faz sentir, que afinal de contas, até fomos amados. 

Mas para aqui chegar… quantos foram os filtros tiveram que ser usados?

AA
12-12-2012