quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O pior que nos pode acontecer




O pior que nos pode acontecer?

Sentir!

Nascemos para sentir! Nascemos a chorar e se o choro não aparece há logo alguém que se revolta e este acontece!

Choramos de revolta. De angústia. De desilusão. Choramos pelo que perdemos e pelo que não sabemos se vamos encontrar. Choramos porque sabemos que na vida vamos sofrer…

Cada sonho. Cada amizade. Cada amor. Cada paixão. Vão trazer-nos sofrimento. Acabar em desilusão.

Amizades perdidas. Sonhos desfeitos. Amores ultrajados outros maltratados…

Cada sentimento tem sempre o mesmo fim. Quando bem pesado, deixa-nos mais tristes, faz-nos sofrer… 

Sempre. Até morrer!

Se não existissem sentimentos nada disto acontecia. Persistia a razão. Vivíamos com a cabeça, pondo de lado o coração. 

Teimamos em lutar por sentimentos mais agradáveis. Lutamos por alegrias. Por amores. Por fantasias…

Pura ilusão. No fim o que resta é o sofrimento. Todos os outros se esbatem no tempo!

E na noite da vida, quando os vamos pesar. Quando os vamos medir. Temos uma mão vazia e a outra a pedir!

As rugas aparecem. Cada uma, um sofrimento. Os cabelos brancos confirmam o desalento trazido pelo tempo. 

Contamos ternuras. Contamos amizades. Contamos paixões. Contamos ilusões…

E todas juntas, bem apertadinhas, cabem numa mão, assim, bem juntinhas!

Resta-nos a memória, apanágio da razão, que apaga sentimentos. Suprime as faltas. Esbate desilusões. Mascara os sentimentos. Transforma-os com o tempo. Engana-nos. Ilude-nos. Num ludibriar de sentidos que nos faz sentir, que afinal de contas, até fomos amados. 

Mas para aqui chegar… quantos foram os filtros tiveram que ser usados?

AA
12-12-2012

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