sábado, 15 de dezembro de 2012

Ser velho

Afinal o que é ser velho?

Com que direito criticamos o modo como cada um envelhece?

Há inúmeras crianças diferentes. Jovens e adolescentes existem milhares de tipos...

Por muito que pense no assunto, cada vez me convenço mais que este é um campo ainda muito pouco explorado.

Não há um "estilo" próprio. Não há uma idade a partir da qual "somos velhos"!

Não vejo como se pode dizer que um velho não pode ser alegre!

Não entendo o porquê de um idoso não poder rir, brincar, jogar ou gostar de coisas que, os agora jovens gostam...

Digam-me qual o padrão de velhice. Mas digam-me também o porquê de um velho ter que ter este ou aquele perfil predefinido... e digam-me quem o definiu... Afinal uma pessoa com 30 anos, quando comparada com uma criança é um velho. Mas com os mesmos 30 anos, se comparado com alguém na casa dos 60 é uma criança...

Ninguém pode, ou deve, dizer como se deve ou não envelhecer.

Não há criança, adolescente, adulto ou idoso ideal. A ideologia é um conceito vago e os conflitos, as lutas, são o que nos faz crescer como seres humanos. O não aceitarmos a nossa condição, o não querermos ser apenas aquilo que somos, é o que nos faz desenvolver.

A humanidade nunca se aceitou tal qual como é. Os seus conflitos, as suas lutas interiores são o que a tem feito crescer e desenvolver.

Alguém que se aceite, tal qual com o é, estagna! É o facto de não nos aceitarmos tal como somos que nos faz seguir em frente.

Procurar novos rumos. Tentar alcançar o que ainda não conseguimos.

Se na velhice quisermos continuar a lutar por isso, força!

A debilidade acrescida existente na velhice pode ser, e é com certeza, um fardo acrescido. Pode provocar atitudes mais insensatas ou mesmo infantis. Mas esse é um problema de doença e não de velhice.

Repito: não há um modelo de velhice. Não há um "velho" ideal, tal como não há um adulto ideal.

Não há modelos!

Cada um de nós é diferente do outro. Se existir um milhão de pessoas, existe um milhão de modelos diferentes, mas se existirem 100 000 000 milhões de pessoas, essas continuarão a ser todas diferentes.

O mesmo acontece com os idosos. São todos diferentes. Logo cada um vivência a velhice à sua maneira e não temos o direito de dizer como cada um deve enfrentar o modo como envelhece.

O que temos que fazer é continuar a respeitar cada um como ser humano único e especial que sempre foi e que continua a ser!

Adelina Antunes
15-dez-2012
 

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