domingo, 9 de dezembro de 2012

Velhas vedetas...



Estive a assistir a um concerto de uma das maiores bandas da atualidade. 

Melhor dizendo, uma das maiores bandas dos últimos cinquenta anos! A música mantém o nível de que me lembro. O ritmo. A balada. O embalo dado pela sua toada consegue transportar-me para a minha juventude! É um facto. E como tal não deve ser negado. O vocalista mantém muita da sua expressividade. Na sua voz ainda está presente muito do que me encantava há uns anos atrás. A sua mobilidade e presença em palco continuam espantosas…

Há pessoas que ultrapassam a casa dos sessenta sem que se dê por isso…

Então, porque estou a escrever sobre o assunto? Se continuam fantásticos. Se a sua presença em palco continua a arrebatar sensações. Se o vocalista (visto à distância) parece ser o mesmo de há tantos anos atrás, porque ocupar o meu tempo a divagar sobre o assunto? 

A audiência delira com as suas músicas. Os fãs acumulam-se tal como fizeram noutros tempos… Só eu, aqui, por detrás de um ecrã, encontro defeitos…

Vê-los ao vivo não denota esta sensação. Vê-los ao vivo transporta-nos para anos de glória. Anos de sensações arrebatadoras. Anos em que as suas melodias nos elevavam às mais altas sensações… 

Vê-los num pequeno ecrã, vê-los com a proximidade que as câmaras permitem, vê-los como estão na atualidade… dói! 

As figuras de que me lembro. Os ídolos que outrora idolatrei, estão reduzidos a caricaturas! Caricaturas do que foram. Do que fizeram. Do que me habituaram a gostar…

As roupas, os cenários, os gestos, continuam os mesmos. Até o modo como se mexem em palco me transportam para os anos da minha juventude… Desde que vistos à distância. Desde que aferidos na sua vacuidade. Desde que não percebidos em pormenor… A proximidade das camaras, por seu lado, mostra-me pálidas reproduções dos ídolos que, em tempos, idolatrei. Mostra-me idosos a tentarem imitar adolescentes… e revolta-me!

Uma revolta imensa porque alguém, algures lhes roubou a juventude. Alguém, algures, me roubou a juventude… Uma revolta que me leva a pensar porque é que estes avós estão a imitar os netos que outrora foram. Porque é que se sujeitam a querer ser o que já não são. A querer voltar ao que foram há vinte, trinta anos atrás! 

Estas são pessoas com valor! Pessoas com talento! Que, apesar de já não serem novos, conservam uma mentalidade mais jovem do que muitos dos que têm idade para ser seus netos… Porquê então querer imitar o que foram quando jovens? Porque não desenvolver a sua criatividade, a sua força e o seu engenho, de acordo com a sua maturidade? 


Vê-los a tentar ser o que foram quando tinham menos de vinte anos. A tentar reproduzir o que fizeram na adolescência. A querer voltar a uma idade há muito ultrapassada, faz-me pensar em marionetas desarticuladas. Em caricaturas mal conseguidas…

Não gosto de os ver assim! E não gosto porque a sua música continua a ter uma sonoridade fantástica. A sua presença em palco continua a cativar multidões… Que os vêm ao longe. Que não conseguem apreciar, à luz das camaras, os ritos de dor e de esforço visíveis nos seus rostos… Que, à distância imposta pelo palco, não conseguem apreender quanto esforço, quanto sacrifício, quanto sofrimento está presente em cada uma destas atuações…


AA
09-dez-2012

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