domingo, 27 de janeiro de 2013

Tempo



É um lugar-comum dizer que não temos tempo.

Não temos tempo para a família. Para os amigos. Para os colegas. Não temos tempo para nós…

É um facto que o tempo não estica e que as vinte e quatro horas do dia são por vezes demasiado pouco para o tempo que precisamos.

O trabalho preenche-nos a maior parte do dia e se temos filhos esses ficam com o resto. A expressão pode parecer pesada, mas é isso mesmo que acontece na maioria dos casos… os filhos ficam com o resto. Com o tempo que não é ocupado no trabalho, no emprego, nas lides domésticas… e é difícil conseguir tempo para lhes dedicar. Tempo com qualidade…

Não é fácil gerir o tempo. Não é fácil gerir o que quer que seja, mas o tempo é talvez das coisas mais difíceis de gerir!

Acordamos ao som de um despertador que nos transmite que temos pouco tempo para nos organizarmos e sair para o trabalho. Se os filhos demoram a acordar ou se não se querem vestir, consideramos esse espaço de tempo, um desperdício. Surgem os nervos. Os gritos. As ameaças. O “vou chegar atrasado ao trabalho”… as desculpas aos colegas, ao chefe…

É possível “esticar” o tempo!

Experimente levantar-se meia hora antes do que realmente precisa. Tome o seu banho descansado, prepare o pequeno-almoço e, entretanto, vá acordando as crianças. Se começar uns minutos mais cedo elas têm tempo para “empatar” um pouco sem que ninguém se enerve. Faça das lides da casa um jogo em que elas possam participar. Brincar com os lençóis enquanto faz a cama. Atirar com os brinquedos para os cestos ou prateleiras. Organiza-los depois numa sequência divertida...

Participar na confeção das refeições. Já pensou que eles podem gostar de lavar os legumes? Molham-se? E depois? Sujam-se? E então? Tudo isso é reparável sem causar danos. Vai demorar mais tempo a arrumar a casa? Quanto tempo? Mais uma hora? Repare que se em vez de duas horas, demora três a fazer as lides domésticas, são três horas de convívio saudável com os seus filhos. As duas horas que estaria sem lhes prestar atenção, transformaram-se em três de alegre convívio. Quando terminar terá ganho em contacto e atenção às crianças. Proporcionou-lhes “aquele tempo” a que por norma não têm direito. E entretanto não lhes gritou. Não os mandou estar quietos. Não lhes disse que saíssem da sala porque estava a limpar o pó… Ganhou em qualidade de vida, para si e para eles. No fim eles vão querer brincar sozinhos e terá um tempinho para si! 

Já agora, leve as crianças consigo às compras. Mas diga-lhes quanto pode gastar. Ajude-as a ir fazendo a conta do que vai colocando no carrinho. Eles gostam de pedir que lhe compre isto ou aquilo? Diga-lhes que sim desde que depois de comprarem tudo o que precisam ainda haja dinheiro. Faça-os conhecer o valor do dinheiro. Eles compreendem.

Aquele amigo que está com problemas liga-lhe quando está a trabalhar? Tente ouvi-lo. Tem documentos para arquivar ou qualquer outra tarefa que não exija muita atenção? Faça-a enquanto o ouve. Ele vai sentir que se preocupa e você vai sentir-se bem por o ter ouvido. Automatize tarefas. Se lida com computadores há um sem número de rotinas que podem ser simplificadas. Descubra como.

Organize a hora de almoço de modo a ter uns minutos para si. Utilize-os para descontrair. Para aquelas compras que não se estragam se estiverem no escritório até à hora da saída. Para procurar aquele livro que tanto quer. Diversifique. A ideia é não ficar sentado à mesa do almoço durante uma hora. 

De vez em quando tire uma hora (ou um dia) só para si. Como? Experimente falar com o seu chefe. Diga-lhe que não vai afetar o seu desempenho. Faça-o ver que o que interessa é o ritmo e a qualidade com que executa as tarefas e não o número de horas que passa no seu local de trabalho. Não exagere, caso contrário não obterá resultados! 

Saia. Ande. Corra. Faça algo de que gosta. 

Crie novos hábitos. Novas rotinas. Vai ver que acaba por conseguir fazer coisas para as quais nunca tinha tempo. Conseguir tempo para a família. Para os amigos. Para si!

E o que é melhor… 

Com qualidade!


AdelinAntunes
27-jan-2013

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Sinais dos tempos?


Todos nós que trabalhamos em grandes centros urbanos acabamos muitas vezes por comer em superfícies comerciais onde imperam as "lojinhas" de fast food.

Porque é rápido. Porque é económico. Porque é diversificado o que permite, se vamos acompanhados e cada um quer ir a um sítio diferente, sentarmo-nos à mesma mesa.

Quase sempre encontramos nestes locais funcionários responsáveis pela recolha dos tabuleiros que usamos para transportar a refeição o que nos permite acabar de comer e sair dali sem termos que nos preocuparmos com esse pormenor. Quase sempre são eficazes e os tabuleiros não permanecem muito tempo nas mesas.

Há dias quando estava a almoçar com uma amiga numa destas superfícies, reparei num homem, na casa dos cinquenta sessenta anos, que retirava tabuleiros de uma das mesas. O que me chamou a atenção não foi ele levantar os tabuleiros vê-lo pousá-los noutra mesa…

Não comentei  mas fiquei a ver o que se passava.

Depois de pousar os tabuleiros,  sentou-se…

Todos sabemos que seja nessas superfícies seja nos restaurantes tradicionais sobra comida. Todos temos consciência que essas sobras, ainda que estejam em bom estado não são aproveitadas. A todos incomoda quando conhecemos as quantidades de comida inutilizadas diariamente porque organismos oficiais não permitem que sejam doadas. Restaurantes, cafés, snack bares ou até mesmo supermercados são obrigados a destruir as sobras não as podendo fazer chegar a quem precisa…

Ali estava um homem, com idade para ainda ser útil à sociedade, a recolher tabuleiros com restos de comida. Copos com restos de bebida, sentar-se a uma mesa e comer!… comer as sobras de quem, como eu, nem sempre consegue comer tudo. Beber os restos das bebidas que por vezes ficam quase intocadas...

Apenas um cuidado... Não ser visto por quem de facto tinha que levantar os tabuleiros!

Ali estava a minha amiga a comentar que não sabia se conseguia comer as massas todas …


AdelinAntunes

domingo, 20 de janeiro de 2013

Mau tempo - vento forte



Mais uma vez o Instituto Nacional de Proteção Civil alertou para as condições de tempo adversas que se avizinhavam para o fim-de-semana. Mais uma vez foram aconselhadas medidas. Indicadas soluções. Alternativas. Cuidados a serem tomados. 

Vi na minha rua contentores de ecoponto deitados e presos com correntes. Deste modo evita-se que sejam arrastados pelo vento e a possibilidade de provocarem danos…

Há no entanto situações imprevisíveis. Inesperadas e para as quais nem sempre é fácil conseguir, depois, solução.

Durante toda a manhã de sábado e prolongando-se pela tarde, fui assistindo da minha janela à destruição, pela força do vento, do telhado de um prédio vizinho. 

Logo pela manhã alguém se encarregou de alertar os bombeiros para a situação. Chegados ao local, e ao ver a força com que as chapas de zinco “ondulavam” ao sabor do vento, referiram nada poder fazer. Era demasiado perigoso subir ao telhado para fazer o que quer que fosse.

Várias placas (ou chapas) se foram soltando e sendo atiradas pelo ar ao longo do dia. Felizmente ninguém foi atingido. Graças à intervenção atempada do morador que alertou os bombeiros, alguns carros foram deslocados para evitar acidentes. As placas caídas foram entretanto removidas e, com o acalmar do vento, o barulho ensurdecedor foi diminuindo.

Não houve camaras de televisão a mostrar o “acontecimento”. Não foi noticiado, contrariamente a outros acidentes ocorridos ontem. Alguns talvez de menor gravidade.

Aos moradores resta agora esperar que o tempo melhore. Rezar para que não chova, pois metade do telhado praticamente não existe. Os apartamentos, se já eram húmidos, passaram a ser molhados. 

Não sei se a Proteção Civil foi alertada. 

Não sei se solicitaram, ou vão solicitar, apoio para a reconstrução do telhado. 

Não sei se têm condições para promover a sua reconstrução. Sei que, para já, nada se pode fazer, tal o estado em que aquele ficou. Sei que, para já, as pessoas vão ter que viver em condições desagradáveis, a não ser que tenham alguma outra alternativa (que terá sempre inconvenientes pois significa sempre abandonarem as suas casas). 

Sei que, em situações como estas, nem sempre é fácil reconstruir.. 


AdelinAntunes
20-jan-2012 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Afinal, somos um exemplo a seguir...



É um lugar-comum dizer-se que das dificuldades nasce o engenho!
 
Sejamos pois engenhosos. Não nos deixemos abater pelas dificuldades preconizadas para o novo ano!
Não é fácil. Mas as dificuldades existem para nos testarem e obrigarem a superarmo-nos. 

Se cada um tiver a capacidade para se superar e, de arrasto, “puxar” pelos amigos, conhecidos, ou “dar a mão” a alguém que, não sendo conhecido, necessite de ajuda, conseguiremos ultrapassar barreiras!
Às medidas já tomadas o governo quer acrescentar outras. Os salários reais vão diminuir. As dificuldades e os aumentos que se verificam em cada iniciar de um novo ano vão ser maiores. Mais duras…

A fama de que somos um povo engenhoso terá que ser justificada. Afinal não foi por acaso que desbravamos mares. Que conquistamos continentes. Que ensinamos novos povos…

A cada dificuldade soubemos responder com bravura. Engenho. Coragem.

Mais uma vez somos postos à prova. Mais uma vez deparamo-nos com o Adamastor. 

Mais uma vez teremos que mostrar ao mundo que não nos deixamos naufragar. Que vamos conseguir dobrar este “cabo das tormentas” e transformá-lo num “cabo de boa esperança”. 

Seremos capazes de superar esta crise e construir um futuro melhor para os nossos filhos. 

Porque eles merecem!

Porque pelas nossas crianças somos capazes de ultrapassar o inultrapassável!

São elas as primeiras e acreditar em nós!

Não podemos desiludi-las. Desistir só porque as coisas estão difíceis. 

Afinal, somos um exemplo a seguir…


AdelinAntunes

(Excerto no jornal "Destak" de 18-jan-2013)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Nem sempre é fácil



Começou há dias um novo ano. 

Um ano que se queria cheio de esperança. De saúde. De alegrias…

Nem sempre é fácil que tal aconteça. Sem querer falar de medidas de austeridade. Da troika ou do que quer que seja que aflige os portugueses em geral, o que vejo à minha volta é sofrimento.

Ainda não são sensíveis as possíveis medidas penalizadoras para todos nós que são preconizadas no Orçamento de Estado. Nas rádios. Nos jornais ou nas televisões.

Os aumentos dos preços ainda não afetam muito. Os cortes salariais ainda não começaram a ser sentidos…

Mas o que vejo são pessoas que sofrem. O medo do desemprego que se anuncia a curto prazo. Amores que acabaram com o final do ano. Mortes de familiares e entes queridos. Doenças… Desespero e solidão que agravam todas as situações e desestruturam as famílias mais estáveis.

Tenho medo de dizer que, para já, estou bem! Receio sorrir para um amigo e receber em troca uma lágrima! Não sei como reagir quando alguém com quem não falo há dias se me dirige, pois, na melhor das hipóteses vai dizer-me que está à espera de ficar desempregado. Que já perdeu o emprego ou então que um familiar querido se encontra com depressão.

A cada dia surgem novas dores. Novos sofrimentos. Novos desesperos… que nada têm a ver com a austeridade. Ou que têm tudo a ver. Que sei eu?

Há quem sofra por antecipação e há quem sofra porque já vivia com dificuldades. A estes a crise vai custar mais.

Àqueles que já era difícil conciliar a vida com o que ganham. Conseguir chegar ao fim do mês com orçamento que lhes permita ter o suficiente para comer. Àqueles que vivem com reformas que quase não chegam para sobreviver. Àqueles que há meses (ou anos) procuram emprego. Aqueles que estão doentes ou que têm entes queridos em estado crítico… gostava de transmitir uma mensagem de esperança. 

Gostava de poder dizer que tudo se vai compor. No entanto…

Nem sempre é fácil!

E porque nem sempre é fácil, gostaria de lhes poder dizer que acreditem! 

Que acreditem em si próprios. 

No seu valor. 

Na sua capacidade de resistência e de resolver situações.

É nos momentos difíceis que temos que acreditar em nós.

É quando as coisas correm mal que temos que as saber resolver.

É quando tudo parece desabar à nossa volta que temos que conseguir forças para continuar.

Nem sempre é fácil.

Mas…

Não podemos desistir!


AdelinAntunes
15-jan-2013

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Quem pode dizer que nunca precisou de uma gota?



Para si, para um membro da sua família ou mesmo para um dos seus amigos, quem pode dizer que nunca precisou de uma gota de sangue? 

Dar sangue é um acto voluntário e benévolo que representa a única forma de proporcionar aos que necessitam o conforto de saber que podem contar com a solidariedade de todos.” http://darsangue.pt/index.php

No entanto nem todos podem dar sangue! Nem sempre aqueles que gostariam de o fazer possuem as condições exigidas. Eu não posso dar sangue!

Com muita pena minha, pois se para mim nunca precisei, já houve entes queridos, e muito próximos, que necessitaram e para os quais não pude contribuir. Hoje deparei-me com um posto de colheita e, mais uma vez, estive tentada a entrar. A voluntariar-me a dar aquilo que me é vedado doar. Sei que o aceitariam. Que o recolheriam, até porque num posto de colheita o mais certo é não terem todos os meios que permitam saber quem são ou em que condições estão os dadores…

Sei que o recolheriam. Mas também sei que depois seriam obrigados a rejeitá-lo! Por isso não me aproximei…

Com muita pena minha não posso contribuir para algo que é tão simples para quem dá e tão importante para quem recebe!

DAR SANGUE

Algo que ainda assusta muitas pessoas. Talvez por medo de agulhas. Talvez por preconceito. Talvez por desconhecimento. 

Os postos de recolha de sangue têm vindo a diminuir. Hospitais que tinham os seus próprios bancos de sangue foram-nos vendo extinguirem-se por questões burocráticas. Se por um lado a necessidade é cada vez maior, por outro é cada dia mais complicado para um dador saber onde se dirigir para proceder a uma dádiva. Em Lisboa podem sempre dirigir-se ao Hospital de São José, de D. Estefânia, ao IPO, ou ao próprio Instituto Português de Sangue. Fora isso só os postos móveis que vão circulando pela cidade. 

Por outro lado é importante que prevaleça a consciência de que um pequeno gesto pode salvar uma vida. Não custa nada… e pode trazer inúmeros benefícios…


Adelina Antunes

09-jan-2012