segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Escrever e ser lido...



Os escritores escrevem para o seu público. Os poetas, embora muitas vezes afirmem que o fazem pelo prazer de escrever, também têm os seus admiradores. 

Nem todos os que escrevem se inserem nesses grupos. Outros há, como eu, que o fazem pelo prazer que a escrita lhes dá. Um modo de se expressarem, de exteriorizarem sentimentos ou de passarem para o papel simples desabafos, opiniões ou fantasias. É no entanto inegável que quem escreve e dá o seu trabalho a ler gosta de ser apreciado. Gosta quando lhe dizem que “está bonito” “bem escrito” que “a história parece real”…. Enfim! Fica feliz quando sente que há quem leia e aprecie o que faz.

Longe de qualquer pretensão também eu fico feliz quando me dizem essas coisas e mais ainda se vejo que são sinceras. Não costumo pedir opinião sobre o que faço. Por norma não questiono se gostaram, o que acharam, se está bem escrito... Não peço que ponham “gosto” no meu trabalho só porque me conhecem ou são meus amigos… Não gosto que me digam que está bom quando os olhos ou a voz transmitem o contrário.

Gosto de receber críticas construtivas. E todas as críticas, desde que sinceras, são construtivas. Fico feliz quando alguém me diz “o texto tem uma gralha” ou “não está perfeito” ou apontam qualquer outro erro seja de construção frásica, de pontuação ou o que quer que seja. Claro que também gosto quando não têm defeitos a apontar, mas isso é algo muito difícil.

Há dias, no dia 23 para ser mais exata, foi lançada a antologia “Beijos de bicos” da qual faz parte “O noivo” um pequeno conto da minha autoria. Hoje alguém o leu e no fim, com voz embargada disse-me entre outras coisas “tocou-me mesmo”…

E a verdade é que se notava no seu rosto, nos seus olhos… uma emoção tão grande como nunca lhe tinha visto. Senti-me honrada! Grata! Mas mais do que isso, senti-me comovida. Senti que talvez não merecesse tanto. Senti que tinha “obrigação” de escrever. Podia ficar eternamente e dizer o que senti sem nunca o conseguir expressar completamente. A sensação de que alguém se pode emocionar com o que escrevo é indiscritível e não posso deixar de agradecer por isso.

Obrigada, por me leres, por gostares, por te emocionares e, mais ainda por teres feito com que eu própria me emocionasse!


Adelina Antunes
25-fev-2013

domingo, 24 de fevereiro de 2013

"Beijos de bicos"

E como parar é morrer, aí está mais uma coletânea!

Da colaboração de sessenta e oito autores surgiu um livro que ultrapassa as seiscentas páginas.

O amor visto das mais variadas formas, mas sempre o amor.

Cinco páginas contam uma pequena história, escrita ao sabor da imaginação. Não está perfeita. Não é uma obra de arte, mas é mais uma das minhas aventuras literárias. Uma forma de descontrair e de me abstrair do que se passa à minha volta.


 "O noivo"! Demasiado pequeno para um livro. Demasiado grande para um blog...




Lembrava-se perfeitamente do dia do casamento. Devia ser ainda muito criança pois foi antes do 25 de abril de 74. Os rapazes ainda iam à tropa e ainda lutavam na guerra das colónias. O que a fazia lembrar do casamento talvez fosse o facto de os noivos serem tão jovens. Ela tinha 15 anos, ele estava na altura de iniciar o serviço militar o que fazia deles (dela pelo menos) pouco mais do que crianças. Não era muito vulgar, mas quando a mãe descobriu que estava grávida exigiu que se casassem. Não fazia sentido ele ir para a tropa e ela ficar na aldeia como mãe solteira. Assim pelo menos seria uma mulher casada! Não era o ideal, devido à idade, mas era melhor que nada. Recorda quando os viu passar, ela vestida de branco, ele com um fato azul-escuro que realçava os cabelos loiros. Recorda-se de lhes ter atirado flores. Todas as crianças por onde passavam faziam o mesmo. Tem uma vaga ideia de ter sido a mãe a mandá-la esperar pelos noivos e atirar-lhas. Mas já não tem a certeza. O facto é que se lembrava dele. Lindo, com aquele olhar misterioso, a olhar para ela e a sorrir. A noiva parecia encolher-se de cada vez que sentia alguém atirar mais flores. Não a achou uma noiva feliz. 

Soube que tinha sido colocado na Guiné. Depois do 25 de abril de 1974 os militares começaram a regressar. Ele também regressou para junto da mulher e da filha que entretanto nascera. Tiveram que arranjar casa pois a mulher tinha ficado a viver com a mãe. E foi ali, mesmo ao lado da casa dela que conseguiram. Ela conseguia vê-lo pelas janelas. Sabia quando saía e quando entrava e passava horas a olhar para ele. Apesar de ser ainda muito nova (tinha 12 anos quando se deu a revolução dos cravos) ele falava com ela como se se dirigisse a uma mulher...

A aldeia era pobre e a maioria das casas, para além de não ter luz elétrica, não tinham grandes comodidades. A dela era uma exceção. Tinham luz elétrica e água canalizada. O pai era um empreendedor e o facto de terem vivido algum tempo fora da aldeia, numa cidade com todas essas comodidades, contribuíra para que já não conseguissem passar sem elas. As noites lá em casa quase nunca eram calmas. Numa época em que a televisão ainda era considerada um privilégio, todos a queriam ver. Todos queriam seguir as séries que apareciam. Por esse motivo a casa era frequentada por quem pedia para assistir à televisão. Ele ia para lá quase todas as noites. 

Lembra-se da época em que foi exibida a série Sandokan – O tigre da Malásia. Ele não perdeu um episódio. Ou melhor, não perdia a oportunidade de passar o serão, sentado à lareira com ela e com os irmãos. Os pais ainda acompanhavam durante um bocado, mas depois, com a desculpa de estarem cansados e terem que se levantar cedo iam-se deitar. Não sem antes recomendar que se portassem com juízo. Lembra-se que, em vez de olhar para a televisão ele passava o tempo a olhá-la e se por acaso os seus olhares se cruzavam os seus lábios sussurravam palavras ternas. Ela ruborescia com medo que os irmãos se apercebessem mas eles não despregavam os olhos da televisão. 

 “Linda” era como a tratava, em vez de utilizar o diminutivo por que todos a conheciam. Ela insistia que esse não era o seu nome e corrigia-o, mas ele insistia “para mim é assim que tu te chamas, porque tu ÉS linda”. Ela sorria, meio envergonhada, meio encantada. As noites passadas a ver televisão começaram a ser preocupantes, por mais de uma vez a mãe quase o apanhou a sussurrar-lhe um “amo-te” ou a atirar-lhe discretamente um beijo. 

Não havia um dia em que não encontrassem um motivo para se verem. Para estarem juntos. A sós. Nas festas da aldeia era habitual ele ser convidado para cantar. Tocava acordeão e cantava. E fazia-o com mestria. Não era por acaso que integrava um agrupamento musical, um “conjunto” como na altura eram designados e que eram convidados para eventos com alguma importância. Quando havia bailes conseguia sempre um pretexto para a tirar para dançar. Eram danças apaixonadas, em que ela acabava sempre por ruborescer com o que ele lhe dizia ao ouvido e convencida de que toda a gente se tinha apercebido do modo como se abraçavam. Ele dizia-lhe sempre que não, que ninguém notava. 

Quantas vezes se encontraram e ficavam abraçados. Trocavam beijos quentes, apaixonados, de uma intensidade que só a paixão consegue conferir. Ficar ali, encostada ao peito dele, a ouvir o bater acelerado do seu coração era uma das coisas que ela mais gostava. Era capaz de passar assim toda a eternidade. À noite, sentado junto à janela, ele cantava para ela. Apesar da presença da mulher era para ela que cantava. Que compunha músicas e lhas dedicava. 
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Adelina Antunes
24-fev-2013

sábado, 23 de fevereiro de 2013

A vida num sonho

Escrever tem-se revelado para mim mais do que um gosto uma necessidade.

É na escrita que me solto. Que dou asas aos meus devaneios e à minha imaginação. Passar dos poemas a pequenos contos foi fácil. Dificil vai ser parar. Espero que tal não venha a acontecer nunca pois esta é uma atividade viciante. Quanto mais escrevo, mais me apetece escrever.

"A vida num sonho" é uma antologia celebrativa do segundo aniversário da editora Lua de Marfim e que chegou ao prelo no passado dia 02 de fevereiro. Em tom de brincadeira decidi apresentar um pequeno conto escrito ao correr da pena e sem grandes pretenções. Enviei-o e nunca mais pensei no assunto até que recebi a confirmação de que tinha sido selecionado.

A ordem alfabética, escolhida para apresentação dos autores, faz com que seja ele a abrir a antologia. Para quem não pode ou não quer comprar o livro (e porque de meu apenas tem uma pequenissima participação), deixo-o aqui:



A vida num sonho


Pensar em como tudo acontecera não era fácil! Conhecera-o há relativamente pouco tempo. Eram colegas de faculdade mas frequentavam anos diferentes, turmas diferentes, grupos de amigos diferentes. Nada faria supor que um dia se encontrariam, tal como nada poderia impedir que se conhecessem. Naquela tarde, quando chegou ao café, um amigo aproximou-se e convidou-a a sentar-se na mesa onde se encontrava com outros colegas. Acedeu e ele foi-lhe apresentado.  De início nem reparou nele. Um entre os demais. As conversas fluíram e quando regressou à sala de aula não conseguiu evitar pensar nele. A sua alegria era contagiante. Um ar divertido, um sorriso a bailar-lhe permanentemente nos lábios e uns olhos que pareciam abarcar o mundo! Mais tarde voltou a encontra-lo. Agora que se conheciam parecia que todos os seus caminhos se cruzavam. Raro era o dia em que não estivessem juntos. Fosse para tomar um café, para dois dedos de conversa ou mesmo para ficarem juntos a fumar um cigarro enquanto faziam tempo para que cada um se dirigisse à sua própria sala.

Aos encontros na faculdade seguiram-se outros. No cinema, na praia, no jardim ou mesmo de visita a um qualquer museu, acompanhavam-se sempre. As amigas invejavam-na pela beleza e simpatia do rapaz. Os rapazes olhavam-na e sorriam. Apesar do que muitos pensavam não eram namorados. Ainda! Não se importava. Gostava da companhia dele. Das suas conversas inteligentes. Do modo fácil com que lidava com as situações… Um amigo em particular acompanhava-os frequentemente. Davam-se bem. Pareciam conhecer-se há já muito tempo e a presença dele não a incomodava. 

Tudo neles parecia conjugar-se. Gostavam da mesma música. Dos mesmos filmes. Ambos nutriam uma paixão peculiar pela história e pelas artes. Ambos frequentavam ateliers de pintura onde extravasavam os seus sentimentos através de pinceladas mais ou menos suaves conforme a ocasião e o sentimento. 

Com o tempo começou a idealizar uma relação. Via-se já a viver com ele. Felizes! A arte como que um complemento e motivo embelezador de um amor que parecia crescer e consolidar-se. Imaginava-se a viver num ninho de amor e arte onde imperasse a beleza, a harmonia e a plenitude de sentimentos. Ele ainda não se declarara, mas os seus gestos, os seus olhares, a ternura que punha em tudo quanto fazia e dizia… tudo nele denotava carinho, paixão. Tudo nele era cheio de ternura. De sentimentalismo… 

Estavam sentados na praia a observar o por do sol e ele puxou-a para sai abraçando-a. O calor dos seus braços, o aconchego do sei peito, a respiração suave e um bater de coração cadenciado criaram a atmosfera ideal para uma declaração de amor. Encostou-se ternamente ao peito dele e esperou que ele se declarasse… Era capaz de ficar assim até à eternidade!

A mão dele percorria-lhe suavemente o braço e os seus lábios roçavam levemente os seus cabelos. Sentia-lhe o perfume do aftershave. Sentia-se a si própria impaciente de amor. O seu coração, contrariamente ao dele, batia acelerado enquanto aguardava pelas palavras que ele lhe diria. Tentou virar-se e alcançar-lhe os lábios. Tomaria ela a iniciativa do primeiro beijo. Afinal adivinhava nele uma grande paixão. Sabia que era correspondida…

Ao virar-se deparou com o amigo. Não contava que ele aparecesse naquele dia na praia. Afinal deveria estar a trabalhar àquela hora… Ele assim que o viu sorriu com aquele sorriso luminoso que o caraterizada e convidou-o a sentar-se ao lado deles. Sentiu-se defraudada. Logo agora que tudo poderia acontecer. Logo no momento em que decidira terminar com aquela espera… A atmosfera romântica que os envolvia desapareceu, com o amigo ali ele já não se iria declarar! Contrariada sorriu e cumprimentou-o. Este, por seu lado, vinha com um ar feliz. O sorriso no rosto parecia iluminá-lo, fazendo-o mais bonito do que realmente era. Sentou-se ao lado deles e olhou para o amigo. “Então? É hoje?” Aquela pergunta iluminou-a. Afinal ele sempre se ia declarar. O amigo sabia das suas intensões. Ele sorriu. “É hoje!” Deu-lhe um beijo suave nos cabelos e virou-a para ele. “Luísa, minha querida, temos uma notícia maravilhosa para te dar.” A alegria que a invadira há instantes atrás esmoreceu ao ouvir aquele “temos”. Uma declaração de amor não se faz a dois. Ou melhor, faz-se, mas sem a presença de terceiros. O que quereria dizer com aquilo?

Ele olhou-a nos olhos. O seu olhar transmitia calor. A ternura que os invadia era visível. “Tu sabes o quanto eu gosto de ti! Tu sabes o quanto és especial para mim. É por isso que quero que sejas a primeira a saber. Eu e o Daniel conseguimos finalmente arranjar casa! Vamos mudar-nos hoje. Finalmente vamos poder assumir o nosso amor. Estás convidada a visitar-nos. A conhecer a nossa casa. Serás assim uma espécie de madrinha de casamento...”

Adelina Antunes
fev-2013


Envelhecer ativo



Em criança traçamos objetivos: Crescer. Ser grande. Ser adulto! 

Os sonhos multiplicam-se e os ídolos e modelos a seguir são uma constante. Queremos ser como este ou aquele personagem das histórias que nos leem. Que lemos. Que vamos conhecendo por contacto direto ou indireto. 

Com o tempo deparamo-nos com obstáculos. Colecionando dores, sentimentos, amores e desamores. Crescemos e a idade dos porquês é substituída pela das incertezas. A incerteza de que caminho escolher. Qual o curso a seguir. Se vamos ou não conseguir “aquele emprego”, se a pessoa de quem gostamos nos corresponde. Qual o nosso futuro. Qual o futuro dos nossos filhos…

Num instante nos vemos na casa dos cinquenta. Dos sessenta. Dos setenta. Daí para a frente a vida ganha novas incertezas. Novos problemas. Novas dificuldades.

O que até então fazíamos com facilidade começa a ser difícil. As ajudas que dispensávamos passam a ser necessárias. As incertezas que tivemos transformam-se em saudade. Viver deixa de ser uma aventura para se transformar em recordações.

A família há muito deixou de depender de nós para sermos nós a depender dela. Acomodamo-nos. Esperamos por dias que não chegam nunca. Fechamo-nos…

Não tem que ser assim. Viver é estar vivo. Connosco. Com o que fazemos e com quem nos rodeia. Saber viver é uma arte que se cultiva até ao último dia. Até ao último instante! Manter a mente aberta. Ativa. Sempre em constante exercício é fundamental. O exercício físico começa a ser difícil mas, por outro lado imprescindível. Parar não é alternativa. Com ou sem ajuda temos que continuar a mexer. Ativos. Não importa qual o tipo de exercício que se pratique, com recurso a que ajudas, desde que se mantenha o corpo em movimento. Cuidar do corpo e da saúde. Cuidar da alimentação. 

Não esquecer a parte fundamental que nos carateriza como seres humanos: tratar da mente! Uma mente ativa é que nos mantém lúcidos. Que nos garante qualidade de vida. Os métodos para o fazer podem, e devem, ser o mais variado possível. Não importa se frequentamos uma universidade para a terceira idade. Se ingressamos num curso prático (quem sabe se não é agora que vamos aprender a fazer aquelas pequenas obras de arte que sempre nos atraíram mas para as quais nunca tivemos tempo?). Ler. Fazer palavras cruzadas ou resolver exercícios de sudoku… Aprender a lidar com computadores e aceder à internet.

Uma das maiores carências a nível da população que atualmente se encontra nesta faixa etária é a iliteracia informática! Mexer num computador ainda é quase tabu. Adquirir conhecimentos nesta área abre um mundo de novas possibilidades. O contacto com aquele familiar que se encontra algures no estrangeiro. Conhecer pessoas com gostos idênticos que vivem num outro continente. Aprender sobre jardinagem. Ourivesaria. Conhecer o nosso património, tão vasto e tão pouco conhecido…

O método para se manter ativo é subjetivo. Não importa qual. Afinal viver é estar vivo e estar vivo significa lutar por nós. Pelo nosso bem-estar. Pela nossa sanidade física e mental. Se a primeira não for completamente possível… lutemos pela segunda! Hoje e sempre. Até ao último suspiro!


Adelina Antunes
23-fev-2013

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

E-learning



A frequência do ensino superior é vista por muitos como a solução para um melhor emprego. Para novas oportunidades de trabalho. Muitos, já adultos, decidem enveredar por esse caminho com todas as dificuldades daí inerentes. Ingressar na faculdade depois de muitos anos sem estudar, sem qualquer ligação com o meio académico pode revelar-se uma aventura, difícil, mas interessante.

Para o público adulto, que trabalha e que não tem disponibilidade para se deslocar para uma faculdade em que o estudo é presencial, a opção é o sistema de e-learning. Muito se ouve sobre este sistema de ensino. Muitas críticas são feitas ao modo como funciona o seu sistema de avaliação. Inclusive pelos próprios docentes que o vêm como um veículo para a fraude e para a realização de trabalhos por outros que não os próprios alunos. Convenhamos que o sistema de avaliação, em que o discente desenvolve um trabalho e o apresenta pela internet pode de facto levar a que estes solicitem apoio quer de filhos, companheiros, familiares ou amigos que, mais conhecedores da matéria, os ajudem a desenvolver o trabalho com vista à obtenção de melhores resultados. No entanto nem todos o farão. Vamos acreditar que a maioria tem realmente vontade de aprender. De ter um bom desempenho e obter uma licenciatura que não se resuma a um simples diploma!

Como mãe de uma aluna do ensino regular, a frequentar uma universidade pública e presencial, constato que a avaliação que lhe é exigida é muito idêntica à que me pedem a mim no sistema de e-learning. De entre as unidades que frequenta poucas têm avaliação presencial. Na sua maioria esta é feita com recurso a trabalhos desenvolvidos, em casa, sozinha ou com recurso a ajudas. Trabalhos de vertente prática que serão posteriormente melhor ou pior avaliados pelos docentes. Não é no entanto uma característica da universidade que ela frequenta pois ainda há dias uma colega, a estudar num instituto público, referia que as avaliações se apoiam em trabalhos apresentados. Inclusive não tendo obtido nota para passar foi aconselhada pelo docente a refazer o trabalho e voltar a apresentá-lo. A alternativa seria ir a exame. No entanto caso o fizesse a possibilidade de sucesso seria quase nula! O próprio docente admite que quase ninguém consegue aprovação em exame. Refeito o trabalho, com ou sem ajudas, concluiu a disciplina.

Os alunos da Universidade Aberta vêem-se muitas vezes confrontados com a ideia de que o sistema de avaliação (não presencial), e mesmo de ensino (e-learning) não lhes conferem os conhecimentos e as capacidades de uma universidade presencial. No entanto, todas as unidades lecionadas têm uma vertente de avaliação presencial.

Os docentes do ensino presencial conhecem os alunos, é um facto. Mas o que acontece se um aluno inscrito mas que por norma não frequente as aulas, lhe levar um trabalho para avaliar? Pode negar-se a fazê-lo? Pode argumentar que não o conhece e que por isso não o avalia? Ou procede à sua avaliação?

Aparentemente o sistema de avaliação não é muito diferente! Apenas os docentes do ensino presencial conhecem os alunos (nem sempre pois casos há em que no final do semestre questionam o aluno sobre quem é e a que turma pertence) enquanto no e-learnig isso não acontece.

Constatando que a maioria dos cursos superiores recorrem já a um sistema de avaliação baseado em trabalhos desenvolvidos. Projetos apresentados no final do semestre e não a avaliação presencial (exames, frequências ou o que quer que seja) ocorre-me perguntar qual a diferença do e-learning para o presencial que obrigue a que este tenha que ser sujeito a provas presenciais. Até que ponto é que hora e meia (ou duas horas e meia, conforme o caso) de avaliação presencial garante os conhecimentos do discente?

Num mundo em mudança e onde a internet é, cada vez mais, um veículo de disseminação de conhecimento e de cultura. Em que o ensino tende a encontrar novos caminhos, será que a obrigatoriedade de um exame presencial é que garante a qualidade do ensino? 

Unidades há em que isso será essencial, não o nego, mas outras existem em que uma avaliação feita nos moldes em que é ministrado o ensino poderá revelar-se suficiente.


Adelina Antunes