domingo, 17 de fevereiro de 2013

As minhas Guerras


Tantos dias…

Tantos meses….

Tantos anos!...

Tantas lutas…

Tantas guerras…

Em criança ouvia falar da guerra mundial. A “Grande Guerra” Neste momento não sou sequer capaz de dizer se participei nela ou se apenas tive conhecimento dela! A vivência foi grande! Se não pela presença, pelo que ela provocou! Pelas consequências que alastraram por toda a Europa…

Lembro-me da minha mãe! Do que dizia sobre as políticas de racionamento. Das senhas de refeição… Da falta de emprego… da falta de liberdade…

A verdade é que nem sei se estas são recordações da primeira se da segunda grande guerra!

Não serão minhas com certeza. Mas estão entranhadas no meu cérebro. Na minha mente. No meu corpo. Como se eu próprio as tivesse vivido…

Talvez me tenham sido inculcadas pelo ouvir dizer!...

Dos avós!...

Dos pais!...

Dos tios!...

Dos vizinhos!… todos falavam da guerra...

Do que cada um passou ou do que cada família sofreu!...

O certo é que as memórias das guerras, grandes ou pequenas, mundiais ou nacionais, públicas ou privadas, invadem a minha memória!...

Uma tenho visível!... Vivo-a cada dia. Cada noite!

Revejo-a quer feche os olhos quer os mantenha abertos… Vejo os meus colegas caírem ao som dos morteiros... Das metralhadoras... Ao golpe das catanas…

Vejo tanques percorrerem campos que, de início, achei gloriosos!...

Vejo animais, que antes nunca tinha conhecido, fugirem ao ruído de um motor… vejo colegas, vejo crianças, vejo mulheres, serem arremessadas pelo ar ao pisarem minas perfeitamente camufladas…

Vejo-me a mim mesmo chorar!...

Arrepiar-me de cada vez que ouço uma explosão!...

A olhar para o lado à procura dos meus companheiros… a contá-los!...

A ver quem é que falta!... A percorrer com os olhos toda a extensão da planície com medo de encontrar um vulto conhecido... Um corpo de alguém que, minutos antes, dias ou noites antes convivera comigo!... Falara comigo!.. Se calhar até brincara comigo!… e que, neste momento, não passe de um corpo inerte...

Vejo a guerra de África! Do Ultramar! De como a queiram considerar! De como a conheçam… Vejo-a como a vivi!... com angustia!...

… Vejo-me atualmente como uma marioneta sem sentido! Algo ou alguém que já passou por tantas guerras…

Que já combateu corpo a corpo...

Que já enfrentou batalhões…

Que viu a morte de perto...

Que conviveu com ela face a face…

A viu no corpo e na alma dos seus irmãos...

Dos seus amigos...

Dos seus conhecidos…

E que não sabe como enfrentar o futuro!

Pior!

Não sabe como enfrentar a vida!

Mas…

O que é pior ainda…

... Não sabe como enfrentar a morte!




AdelinAntunes

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