domingo, 31 de março de 2013

Internet



Conhecemos pessoas das formas mais variadas. 

Por vezes conhecemo-las intimamente. Outras apenas temos uma ideia de quem são. Nunca as conhecemos completamente.

Por vezes cruzamo-nos com pessoas nas situações mais inesperadas. Numa rua. Num café ou até mesmo numa sala de espera de um qualquer hospital. 

Por vezes conhecemos pessoas só pela internet. Nada sabemos delas a não ser o que realmente querem que se saiba. O que deixam transparecer pelos gostos que expressam. Pelos comentários que fazem. Pelas músicas que ouvem ou pelas respostas que dão a outros comentários. A outros gostos. A outras musicas divulgadas.

Por vezes confiamos em pessoas que se revelam dignas de toda a nossa confiança. Outras vezes somos apanhados de surpresa pela falsidade que encontramos. Não é fácil confiar. Não é fácil acreditar em todos quantos vamos conhecendo. Com que nos vamos cruzando. 

Por vezes as motivações que nos levam a confiar. A creditar. Parecem não ter sentido. Há quem chame instinto àquela razão que nos leva a confiar. Mais do que com a cabeça, com o coração.

Vivemos num mundo aberto em que é fácil encontrar uma pessoa a distâncias incalculáveis. A interação provocada pela internet permite-nos conviver com pessoas que, de outro modo, nunca conheceríamos. 

Isso é bom? 

É mau? 

Cada um terá que decidir por si. Cada um terá que optar por quem quer ou não quer conhecer. Cada um terá que arriscar conhecer o outro com quem se cruza. 

Fala-se muito dos perigos da internet. Fala-se muito das maravilhas da internet. Fala-se muito pela internet…

Um movo modo de conhecer pessoas. De criar laços. Amizades. Travar conhecimentos aos quais não se teria acesso de outro modo. Há que saber utilizar esta ferramenta. Claro! Há que conseguir filtrar o que interessa e expurgar o que possa não interessar. 

Há que correr riscos…

Mas não os corremos nós no dia-a-dia? Nas relações pessoais que vamos estabelecendo? 

Quem pode dizer que nunca conheceu alguém que, na boa verdade, nunca deveria ter conhecido? Quem pode afirmar que todos os conhecimentos. Todas as relações estabelecidas através de familiares, amigos, conhecidos ou mesmo no local de trabalho deram sempre certo? 

Os conhecimentos virtuais, tal como qualquer outro, têm os seus problemas. As suas limitações. Nunca podemos ter a certeza de quem está do outro lado. É verdade! Nunca conhecemos a pessoa por completo. Também é uma realidade. Mas…

Podemos afirmar que, relativamente aos conhecimentos que encetamos pelos modos tradicionais há diferenças? Que uma amizade é mais ou menos sincera se é real ou virtual? 

Podemos estabelecer diferenças ou paralelos entre este ou aquele relacionamento? Entre esta ou aquela realidade?


Adelina Antunes
31-março-2013

quinta-feira, 28 de março de 2013

Impotencia para ajudar



Conhecer o desespero e sentir-se impotente para ajudar

Sofrer

Por ver outro passar pelo que já se passou

Pelo que ainda podemos voltar a passar

E não poder ajudar.

Querer gritar e sentir que não se tem voz para o fazer

Uma mordaça de dor impede o grito de sair

De lutar

De dizer ao mundo que pode e deve ajudar...


Cair

Sem forças para continuar

Braços inertes que nada podem fazer

Pernas cansadas, sem forças para andar

Uma mente perdida, que por vaguear pelo mundo

Já nada sente

E se deixa ir au fundo.

Querer gritar!

Querer lutar!

Querer conseguir alguma coisa fazer!

As forças não faltam. E vontade, chega para dar e vender

Mas...

Não ter meios para o conseguir fazer

E ficar…

A ver o outro morrer!


AdelinAntunes
28-março-2013

terça-feira, 26 de março de 2013

Um dia para agradecer



Há dias em que acordamos mais ou menos animados. 

Mais ou menos tristes. 

Com mais ou menos força para enfrentar a vida que temos pela frente.

Há dias em que apenas nos apetece deixar de existir.

Desaparecer.

No entanto há dias em que nos sentimos no topo do mundo. 

Em que conseguimos ser reis ou rainhas, ainda que por um segundo!

Há dias assim. 

Em que os amigos estão presentes. Ainda que ausentes. Mesmo quando distantes.

Há dias em que somos capazes de abraçar o mundo e gritar.

Bem alto.

Bem fundo!

Há dias em que mil obrigados não chegam para agradecer o carinho.

Em que, por mais que se faça, por mais que se diga

Continuamos assim

Pequeninos…


Sentir o carinho de quem nos rodeia é o melhor que se pode ter

E não há palavras que cheguem para agradecer.

Há dias e dias, uns bons, outros maus

E há dias fantásticos em que...

Só por ter amigos, sentimos que vale a pena viver

Que aconteça o que acontecer

Vamos ter forças e conseguir vencer

Há dias em que a única coisa que podemos fazer

É parar um pouco, olhar os amigos…

E agradecer!



Adelina Antunes
26-março62

domingo, 24 de março de 2013

Escrevo-te



Escrevo-te porque te sinto. Porque o desejo é imenso.

Escrevo-te porque não te esqueço. Continuas entranhado no meu ser! Fervilhas dentro de mim.

Escrevo-te porque estás vivo. Presente. Por muito que queiras estar ausente.

Partiste com intenção de esquecer. De deixar de existir. De morrer.

Não conseguiste!

Vives na minha alma. No meu corpo. Na minha pele… vives! Jamais vais morrer…

Enquanto eu viver!

É fácil fechar uma porta. É fácil sair sem se despedir. É fácil abandonar o caminho.

Mas é impossível esquecer o momento. É difícil deixar de pensar… continuar.

E esquecer!

Ficam marcas indeléveis. Ficam ternuras vividas. Ficam mágoas, sentimentos. Ficam memórias sensíveis.

E vivas!

Dias vividos intensamente. Com desejo. Com paixão. Noites sentidas. Sonhadas. Sofridas.

Noites frias de tão vazias. Noites que jamais serão esquecidas. Noites de sonho e pesadelo.

Solidão.

Espero um dia deixar de escrever.
Espero um dia também conseguir esquecer. Espero um dia deixar de pensar…

Será o que quero? Deixar de te amar?...

Espero um dia continuar a escrever. Falar de ti sem rancor. Sem desejo ou paixão...

Espero um dia falar de ti…

Como uma doce recordação!


sábado, 23 de março de 2013

Decisões



Por vezes somos confrontados com decisões que temos que tomar mas para as quais não nos sentimos verdadeiramente preparados. Dependendo do tipo de decisão recorremos a familiares e/ou aos amigos imputando-lhes uma decisão que deveria ser apenas nossa. 

O que acontece a seguir é que filtramos as opiniões e somos tentados a aceitar apenas as que vão de encontro à nossa própria decisão (ou ao que pretendemos decidir) desvalorizando outras que, ainda que sensatas, não correspondam ao que preconizamos.

Porquê então atribuir uma responsabilidade que é apenas nossa a terceiros? 

Porquê procurar que outros nos digam o que ou como fazer se no fundo temos a nossa opinião e nada do que digam a fará alterar?

Este pedido de opinião, de conselhos de familiares e/ou amigos a quem recorremos tem no fundo, o condão de validar opiniões formadas. Decisões que, sentimos, necessitam do reforço de outros para serem validadas. Levadas a sério! Não é a mesma coisa dizer “eu penso que” ou “ eu e … dos meus amigos pensamos que”! 

 No entanto esta validação a que sujeitamos a nossa própria opinião nem sempre obtém os resultados pretendidos. Por vezes as opiniões divergem. Outras ainda, somos chamados à razão por aqueles que têm a coragem de assinalar os nossos erros! De nos dizer o que, mesmo sabendo que corresponde à realidade, preferíamos não ouvir.

A amizade é isto mesmo. Ser capaz de dizer o que é necessário, mesmo quando tal não é o esperado. 

No entanto é exatamente porque alguns têm a capacidade de nos dizer o necessário. O real. O que não queremos ouvir, que os relegamos como amigos. Que lhes retiramos a confiança. Que os maltratamos e esquecemos todas as vezes que estiveram ao nosso lado. A amizade deve, essencialmente, apoiar-se na confiança e se de facto confiamos nos nossos amigos, devemos ser capazes de aceitar as suas opiniões. Os seus conselhos. As suas sugestões! 

Se são sempre certas? Nada o pode garantir há no entanto um grau de confiança que devemos adotar. Respeitar. Afinal também eles são humanos, suscetíveis de erro e de divergências de opinião, mas, se são realmente nossos amigos, nada farão para nos magoar!



AdelinAntunes
23-03-2013

sexta-feira, 22 de março de 2013

Brumas



Brumas equidistantes seguem para norte
…em silêncio!
Para quê manifestar anseios?
Para quê divulgar os medos. Os receios?
No mundo de saudade em que se encontram escondidas
Esperam
E a ternura dos tempos passados envolve de tristeza a saudade
Não é verdade que não sintam o sol!
Perigosos raios de luz atravessam o seu caminho e fogem!
Logram enganar a luz e continuar
Fintam a alegria que sem querer as deixa passar…
precisam da luz. Precisam da cor
na escuridão são invisíveis. É impossível existir!
num oceano de densas misérias escondidas, sobressaem, magoam
provocam feridas de um modo (in)consciente
afagam, apertam, envolvem a aura que te faz brilhar…
E nas brumas que se adensam, pensam ficar.
Melómano de outros tempos, agora idos, há muito sentidos
esqueces quem és ou para onde vais.
Deixas que te envolvam no seu manto invisível mas poético
Não sentes o quanto é patético segui-las. Acompanhá-las. Servi-las…
Pára.  Não voltes mais…
num sentimento contido que por ser antigo se tornou um hábito
juras querer ficar.
dizes que são elas, as brumas, que te levam a fugir da morte
e caminhar em direção ao norte
dizes que é lá que irás encontrar a sorte
de que adianta seguires um caminho sem regresso
se deixas ficar um coração escondido?
Sabes que essa não é a solução
e as brumas equidistantes, medem distâncias pelo teu coração.
É essa a bitola que as faz sentir as distâncias
Que as leva a seguir separadas. Embora juntas, sempre acompanhadas
Tão sós como te deixaste ficar.
Não queiras enganar as brumas, pois elas não se deixam enganar.
É o vento quem as guia, o sol que as faz viver… 
ele sabe que sem elas deixarias de sofrer.
Mas não quer...
 
AdelinAntunes
jan-2013