sexta-feira, 22 de março de 2013

Brumas



Brumas equidistantes seguem para norte
…em silêncio!
Para quê manifestar anseios?
Para quê divulgar os medos. Os receios?
No mundo de saudade em que se encontram escondidas
Esperam
E a ternura dos tempos passados envolve de tristeza a saudade
Não é verdade que não sintam o sol!
Perigosos raios de luz atravessam o seu caminho e fogem!
Logram enganar a luz e continuar
Fintam a alegria que sem querer as deixa passar…
precisam da luz. Precisam da cor
na escuridão são invisíveis. É impossível existir!
num oceano de densas misérias escondidas, sobressaem, magoam
provocam feridas de um modo (in)consciente
afagam, apertam, envolvem a aura que te faz brilhar…
E nas brumas que se adensam, pensam ficar.
Melómano de outros tempos, agora idos, há muito sentidos
esqueces quem és ou para onde vais.
Deixas que te envolvam no seu manto invisível mas poético
Não sentes o quanto é patético segui-las. Acompanhá-las. Servi-las…
Pára.  Não voltes mais…
num sentimento contido que por ser antigo se tornou um hábito
juras querer ficar.
dizes que são elas, as brumas, que te levam a fugir da morte
e caminhar em direção ao norte
dizes que é lá que irás encontrar a sorte
de que adianta seguires um caminho sem regresso
se deixas ficar um coração escondido?
Sabes que essa não é a solução
e as brumas equidistantes, medem distâncias pelo teu coração.
É essa a bitola que as faz sentir as distâncias
Que as leva a seguir separadas. Embora juntas, sempre acompanhadas
Tão sós como te deixaste ficar.
Não queiras enganar as brumas, pois elas não se deixam enganar.
É o vento quem as guia, o sol que as faz viver… 
ele sabe que sem elas deixarias de sofrer.
Mas não quer...
 
AdelinAntunes
jan-2013


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