domingo, 28 de abril de 2013

Apenas um sinal



Apenas saber o que sentes! 

Se por acaso sonhas

se por acaso mentes

Apenas um sinal

Saber por onde andas ou para onde vais

Saber o que desejas

se muito, pouco ou demais

Apenas um segundo que me permita dizer

que sei. Que sinto o que queres. O que vais fazer

Apenas um sinal

um sentimento louco que faça com que tudo o que sinto me saiba a pouco

Apenas um sinal

por pequeno se seja, que me permita sentir

sonhar e 

saber...

Para quê?

Apenas um lampejo de que tudo o que faço

tudo o que sinto

não é etéreo e pode acontecer.

Apenas um sinal…

Um sinal que não me deixe esquecer

Que me leve, acima de tudo, a desejar

Que te lembre

Que me lembre 

Que não nos deixe esquecer

Apenas um sinal

E nesse sinal todo um mundo para viver

Todo um universo para esquecer

Tudo e nada e o que mais vier…

Apenas a vida e o que ela quiser

Apenas tu. Apenas eu

Apenas um mundo

Repleto de amor. 

De sentir e sonhar. 

De coisas feitas ou de coisas por fazer

Apenas nós

se assim tiver que ser

Apenas um sonho que se queira sonhar

Apenas tu

Apenas eu

Apenas nós

Seja lá o que isso for.



Adelina
28-4-2013

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Recordar abril



De um abril de cravos e de revolução

De um dia em que foi mudado o destino de uma nação

Não posso dizer que muito me lembre 

E do pouco que recordo não tem cravos nem soldados

Não tem gritos nem povo pelas ruas.

Recordo um dia de sol que devia ser aproveitado

Um sol radioso, que permitia trabalhar nos campos com ardor

Recordo um dia como outro qualquer

Numa aldeia distante onde a politica sem sequer podia ser uma utopia

Porque não existia

Recordo uma notícia na rádio

Em que se falava de uma revolução

Recordo pessoas inquietas, desmotivadas

Sem saber que rumo tomar

Recordo incertezas, por não se saber que caminho seguir

Recordo uma professora, que na aula, nesse dia

Olhava para a televisão com as suas cores monocromáticas e dizia

“Estão de luto! Tudo isto não passa de uma fantasia”

Não recordo a cor dos cravos, pois essa não existia

Estava longe de tudo. Do movimento. Da revolução

Da utopia.

Da criança que era recordo o sentir

Que algo estava a acontecer

Recordo o sentido que mudança

Recordo a alegria

Recordo a pujança

E recordo ainda as imagens que passavam, cinzentas mas cheias de vida

Sem cor, mas pejadas de esperança

Luz e esperança num futuro diferente

Vermelho que se adivinhava nos cravos, nas ruas

Vermelho que, segundo muitos diziam, 

Representava o sangue de quantos sofriam

Recordo os tanques pejados de soldados

Recordo as crianças

Recordo os cravos…

Recordo os cânticos que ainda se repetem

Que perduram no tempo

Que jamais se esquecem

Recordo a esperança num futuro melhor

Que ainda hoje 

Esperamos um dia poder vir a alcançar…



Adelina Antunes
25-abril-2013

"Porque aprendi"



Há momentos nas nossas vidas que se transformam em “Mementos” que devem ser recordados. Lembrados. Tornados imortais.

Podem ser curtos. Pequenos. Simples… Mas grandiosos pelo que encerram em si.

Fui alvo de um desses “Mementos”! 

Saí cedo do trabalho. Ou melhor, à hora certa, e como sempre dirigi-me para a paragem do autocarro. 

“Fones” nos ouvidos, disposta a mergulhar num mundo só meu e abstrair-me de tudo à minha volta, estava na fila do autocarro, quando, depois de alguns minutos de espera, alguém a meu lado me aborda. 

Mostra-me um talão de pagamento de um prémio do Euromilhões: 3 euros e poucos cêntimos, e comenta “Já viu isto? Tantos anos a jogar, tanto dinheiro gasto e sai isto? O que é que se pode fazer com isto?”

Tantos anos a jogar. Tantas esperanças. Tantos sonhos. Tantos anseios… Nada mais me ocorreu dizer se não que deixasse para lá “Quem sabe se isso não é um principio?”

Sorriu-me e disse que gostou da resposta. Que eu tinha razão e que tinha aprendido uma coisa comigo. Tentei voltar a por os auscultadores e dar a conversa por encerrada. Ignorar a pessoa e mergulhar na minha música. Mas ele parecia querer falar pelo queme esforcei por ouvi-lo.

Sou sincera. Ao entrar para o autocarro procurei um banco de um só lugar onde me pudesse sentar sozinha e abrir um livro porém o único nessas condições tinha outro igual de frente. Com um pedido de licença seguido de um agradecimento quando acedi a que se sentasse, o meu interlocutor sentou-se á minha frente.

Durante a viagem falou de si. Do que faz e do que tem feito. Disse que, apesar de serem apenas três euros e poucos cêntimos, esse prémio era para partilhar. Só porque tinha dito que se fosse premiado o valor seria repartido. É pouco, não dá para nada, a não ser para manter a palavra dada.

Ex militar aprendeu na tropa como tratar lesões musculares. Como recolocar no sítio um osso deslocado. Como "consertar" um tendão. E porque aprendeu, não hesita em usar os conhecimentos adquiridos. 

“Porque aprendi” diz. 

Em tom de conversa ligeira vai falando. Fala das pessoas como se eu as conhecesse. Menciona-as pelos nomes. Pelo que fizeram. Pelo que disseram. Pelo que fez por elas. Sem se gabar. Sem procurar colher louros. Apenas em tom de conversa de circunstância. 

Há pessoas que não reconhecem o que se faz por elas, diz. Mas também há as que ficam gratas. Que querem pagar ou de algum modo retribuir. Isso não lhe interessa. Não procura recompensas. Faz o que faz porque acha que, se lhe pedem ajuda, o deve fazer. “Porque sei!” “Porque aprendi!”

Explica como se faz. Como “consertar” um tendão deslocado. Um ombro. Um pé.

E fá-lo como se fosse a coisa mais natural do mundo. Conta que um dia “consertou” um braço a um médico. Que este lhe disse que ele devia ter um diploma. Qualquer coisa que lhe garantisse que podia fazer o que tão bem sabe fazer. Para quê? Não é um papel que vai alterar nada. Não procura visibilidade. Apenas faz o que faz porque lhe pedem. Porque sabe. Porque aprendeu!

Não assume compromissos. Um compromisso, quando se assume, tem que ser cumprido seja ele qual for. Nem que seja como o prémio que agora ganhou e que, repartido, nem sequer chega para registar uma nova aposta. Mas assumiu o compromisso. Tem que o honrar…

Não oferece ajuda. Limita-se a estar disponível e a responder quando lha pedem. 

Porquê?

“Porque aprendi!”

Quantas coisas que aprendemos ao longo da nossa vida nunca são postas em prática? Quantas esquecemos porque nunca lhe damos a devida utilidade?

“Porque aprendi!”

O Sr. Luís diz que aprendeu uma coisa comigo. A acreditar!

Também eu aprendi uma coisa com ele: ajudar sem nada pedir em troca. Apenas porque há algo que aprendemos, que sabemos e que pode, de um modo ou de outro, ser útil a alguém. Sem compromissos. Sem nada pedir em troca…

Ajudar, apenas porque sabemos. Porque somos capazes. Porque conseguimos.

Porque aprendemos!

Obrigada Sr. Luís! Foi um prazer conhecê-lo!

Continue a aprender!

Continue a ajudar!



Adelina Antunes
24-abril-2013.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Prisioneiro



Prisioneiro do teu próprio destino, esperas desesperadamente a abertura de uma porta por onde possas sair.

De uma janela por onde consigas alcançar o céu. As estrelas!

Esperas e nessa espera perdes-te e perdes a esperança de ser feliz

Não encontras portas. Não encontras saídas

E nessa busca desesperada por soluções

Esqueces-te de que está nas tuas mãos abrir uma porta! Uma janela. Um ponto de partida que ao mesmo tempo seja um porto de chegada!

Prisioneiro de tempo, esperas em vão que este avance.

Cansas-te numa busca imperfeita, por não ter sentido. 

Todas as portas se abrem para o mesmo lado. Um lado que permite que estas girem sobre si mesmas.

Todas as janelas deixam passar a luz. Ainda que filtrada. Ainda eu por entre cortinas, persianas ou portadas. 

Todas têm um efeito limitador. Opressivo. De não deixar passar.

Todas pretendem proteger-nos quando o que fazem, na maioria dos casos, é prender-nos.

Há que saber o sentido da porta. O lado para onde empurrar e depois…

Um pequeno toque e esta irá abrir. Deixar entrar o sol. 

Deixar-te sair.

Procura ver o que está camuflado. Qual a fechadura, as dobradiças, como abrem e para que lado.

Tenta deixar-te levar no sentido do vento. Deixar-te transportar 

Tenta! 

Vais ver que vale a pena sair…

Encontrar o sol e conseguir sorrir!



Adelina Antunes
24-abril-2013

domingo, 14 de abril de 2013

Ser social



Vivemos num mundo de dualidades. De falsas relações. Num mundo em que as aparências contam mais do que os sentimentos. Um mundo onde a imagem que transmitimos não tem necessariamente que corresponder à realidade. À nossa realidade. Mas sim ao conveniente.

Que interessa que vivamos destroçados por dentro se passamos para os familiares, amigos, colegas de trabalho, conhecidos e mesmo desconhecidos uma imagem socialmente aceite? Que importa o quanto o nosso coração sofre se perante quem nos rodeia transparecemos felicidade? Quem se interessa pelos verdadeiros sentimentos? Pela verdade de nós próprios?

Cada vez mais vivemos numa mentira social. Num bem-estar aparente. Ser socialmente aceite parece ser o mais importante. Não importa a que preço. Não interessa como desde que se consiga. E se para isso for necessário mentir, mentimos! Vivemos na mentira. Na ilusão de ter uma família perfeita. Um emprego perfeito. Os amigos perfeitos…  A vida perfeita.

Que importa se passamos noites sem dormir? Que importa se não somos capazes de nos olhar ao espelho sem pensar que não reconhecemos a imagem que este nos devolve? 

As aparências é que contam. As aparências e o bem-estar social. O custo? É um mero pormenor. Num mundo em que ser socialmente aceite é fundamental, quem não segue os paradigmas considerados normais é relegado. Rejeitado. Posto em segundo plano. 

O que fazer? Deixar-se levar pela corrente? Ou remar contra a maré? 

Mostrar quem realmente somos. O que pensamos. O que sentimos…

É fácil dizer “eu sou assim, quem gostar gosta quem não gostar não gosta”, mas… será que somos capazes de romper com os convencionalismos? Enfrentar a sociedade e o mundo e mostrar o quanto discordamos do que se passa à nossa volta? Demarcarmo-nos das ideologias, do bem ser, bem-estar, bem-fazer?

Num mundo em que o que parecemos, a imagem que passamos, o que dizemos ou fazemos é o nosso “cartão-de-visita”, o nosso marketing, dificilmente conseguiremos fugir a estas regras. A estas limitações. A estes preconceitos…


Adelina Antunes
14-abril-2013