sábado, 13 de abril de 2013

Hoje o dia amanheceu triste!




Hoje o dia amanheceu envolto num espesso nevoeiro que não deixava ver o horizonte. A humidade envolvia o ar e impregnava-o de nostalgia.

Hoje não quero ver ninguém. Não quero “estar” para ninguém. Hoje também eu me sinto envolta pelo nevoeiro. Sem vontade. Sem nada para dar ou para oferecer. 

Hoje eu queria dormir até tarde. Não ter que acordar. Não ter que enfrentar a vida e viver…

Hoje amanheci com vontade de não acordar. De me deixar ficar no aconchego do esquecimento. De não ter que enfrentar a vida. Não ter que fazer perguntas e muito menos ainda que receber respostas. O nevoeiro, mais do que envolver a manhã, cercava-me a mim. Uma névoa de incertezas. De falsas verdades. De desejos esquecidos embora desejados. Uma sensação de que “estou a mais”. De que não sou necessária para que a vida, o mundo, siga o seu ritmo diário sem a minha presença. Uma sensação de que poderia ficar ali, na penumbra do esquecimento e nada fazer. Nada sentir. Nada esperar ou oferecer…


Mas hoje alguém me acordou. Alguém que precisava de mim independentemente da minha vontade de ajudar. Alguém persuasivo. Insistente. Que me fez acordar para o mundo e viver.
  

A insistência de alguém que nos ama. Que vê em nós mais do que o que nós próprios somos capazes de enxergar, acordou-me. Não só do sono mas, e mais ainda, da letargia em que estava envolta. Não posso culpar o tempo pelo que sinto. Não posso dizer que, porque o dia amanheceu triste me senti assim. Não posso relegar culpas que me devem ser atribuídas…

Hoje amanheci triste. Tal como o dia. Mas tal como o dia, os meus sentimentos mudaram. E o que começou por ser um dia triste. Enevoado. Húmido e cinzento. Transformou-se num dia de sol. Radioso. Esplêndido e demasiado bonito e agradável para a estação do ano. 

Pelo que me toca não cheguei a tanto. Não fiquei esplendorosa. Não me transformei em nada de transcendental. Mas ultrapassei o cinzento que me invadia e consegui “estar aqui”. Presente! Disponível para se alguém precisasse de mim.

Afinal a amizade tem destas coisas. Outros dias cinzentos foram ultrapassados com a ajuda de amigos que se mantiveram ao meu lado. Outros dias cinzentos, não só os meus, precisam ser ultrapassados.

Por isso, porque todos precisamos do sol resplandecente de uma amizade…

Hoje, apesar de ter amanhecido triste e cinzenta como o dia, transformei-me com ele e, tal como o sol, tentei “aquecer” a existência de alguém para quem o dia era ainda mais cinzento e sombrio que o meu.


Adelina Antunes
13-abril-2013

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