quinta-feira, 25 de abril de 2013

Recordar abril



De um abril de cravos e de revolução

De um dia em que foi mudado o destino de uma nação

Não posso dizer que muito me lembre 

E do pouco que recordo não tem cravos nem soldados

Não tem gritos nem povo pelas ruas.

Recordo um dia de sol que devia ser aproveitado

Um sol radioso, que permitia trabalhar nos campos com ardor

Recordo um dia como outro qualquer

Numa aldeia distante onde a politica sem sequer podia ser uma utopia

Porque não existia

Recordo uma notícia na rádio

Em que se falava de uma revolução

Recordo pessoas inquietas, desmotivadas

Sem saber que rumo tomar

Recordo incertezas, por não se saber que caminho seguir

Recordo uma professora, que na aula, nesse dia

Olhava para a televisão com as suas cores monocromáticas e dizia

“Estão de luto! Tudo isto não passa de uma fantasia”

Não recordo a cor dos cravos, pois essa não existia

Estava longe de tudo. Do movimento. Da revolução

Da utopia.

Da criança que era recordo o sentir

Que algo estava a acontecer

Recordo o sentido que mudança

Recordo a alegria

Recordo a pujança

E recordo ainda as imagens que passavam, cinzentas mas cheias de vida

Sem cor, mas pejadas de esperança

Luz e esperança num futuro diferente

Vermelho que se adivinhava nos cravos, nas ruas

Vermelho que, segundo muitos diziam, 

Representava o sangue de quantos sofriam

Recordo os tanques pejados de soldados

Recordo as crianças

Recordo os cravos…

Recordo os cânticos que ainda se repetem

Que perduram no tempo

Que jamais se esquecem

Recordo a esperança num futuro melhor

Que ainda hoje 

Esperamos um dia poder vir a alcançar…



Adelina Antunes
25-abril-2013

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