quarta-feira, 8 de maio de 2013

Invisível na multidão

Sabias que a solidão mais profunda só se consegue no meio da multidão?

Se estiveres sozinho e chorares, estiveres triste ou gritares todos te vêm. 

Mas se estiveres no meio de uma multidão podes chorar. Podes rir. Podes gritar. Podes até fazer o pino que ninguém te vê!

Tem dias que preciso disso. Acho que é por isso que gosto tanto de Lisboa. Sozinha na multidão!

Posso andar ou parar. Posso chorar se me apetecer. Posso fotografar. Posso ver o que os outros não querem ver. Posso ser eu mesma ou fingir ser quem eu quiser…

Posso ser tudo ou não ser nada. Posso até parar e morrer que ninguém quer saber.

De vez em quando sinto-me assim. Anónima. Transparente. Invisível. E depois descubro que gosto desse silencio. Que gosto de estar invisível na multidão. Que não preciso de máscaras. Que posso ser eu mesma. Sem um sorriso. Sem uma palavra agradável. Sem nenhuma espécie de cortesia…

Invisível. Inexistente. Dona de nada e senhora do mundo. Posso ir para onde quiser que ninguém me vai questionar. Posso fazer o que fizer que ninguém vai saber. Ninguém quer saber. Não importa! Eu não existo!

Quando preciso desse silencio saio. Saio de casa ou do emprego… Saio! 

Misturo-me na multidão e espero que alguém me encontre. Nunca ninguém me viu!... 

Vá para onde for. Faça o que fizer. Ninguém me vê. Ninguém me pede nada. Ninguém precisa de mim. 

Porque eu não existo. Sou invisível para quem me rodeia. Posso morrer se me apetecer! Ninguém vai sentir. 

Ninguém vai saber. Ninguém se vai importar.

E eu posso querer! 

Posso querer ser invisível. Transparente. Ignorada. 

Passar por onde quiser sem ninguém se importar. 

Fazer o que me apetecer sem ninguém questionar. 

Andar ou não andar. 

Parar ou não parar. 

Só por me apetecer. Sem dar explicações. Sem ninguém saber. Sem ninguém se ralar…

Sem sequer existir…

Adelina Antunes

07-maio-2013

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