sábado, 1 de junho de 2013

Coragem para viver



Se um dia tivermos coragem, separamo-nos!

Eu sei! Nunca a iremos ter!

Mas se um dia tivermos coragem separamo-nos. E depois somos livres para nos juntarmos.

Se um dia tivermos coragem, cada um segue o seu rumo e juntamos destinos.

Se um dia tivermos coragem poderemos ser felizes… Às vezes!

Se um dia tivermos coragem poderemos ser quem somos. O que queremos. O que desejamos. O que sonhamos. O que há muito esperamos…

Há anos, muitos anos, deixei-me morrer. Penetrar num coma profundo do qual me recusava a sair. Uma morte aparente que, por ser indigente, não foi reconhecida. Um corpo presente não permitia que tal acontecesse. A morte física é mais fácil de superar! Morte. Fim! Nada há que enganar.

Há anos, muitos anos, deixei de ter razões para viver. Mas não tive razões para morrer. E se a vida continua, e se não conseguimos viver, e se por tudo o que façamos não conseguirmos morrer…  o que fazemos para continuar?

Há anos, muitos anos, eu não queria morrer. Mas a vida não me permitia viver. Porquê então continuar?

Pelos que me rodeavam e que, sem  mim, não conseguiam viver? Quem sou eu para isto dizer? Quem sou eu para julgar? Se eu não estivesse? Teriam continuado a viver? Se eu não existisse? Poderiam continuar a existir? Não! Não posso julgar quem me rodeia e que alguma coisa poderia ter feito. Não posso julgar, quem nunca existiu.

Nada há que eu possa pensar que poderia ter sido feito. Nada há que me leve a dizer que não foram honestos. Afinal fui eu quem me deixou morrer. Entrar em coma e desaparecer.

Afinal fui eu quem não esteve presente. Que nas alturas criticas se encontrava ausente. Que nada fez. Que nada esperou. Que… nada deu!

Há algum tempo. Pouco tempo! Alguém me conseguiu despertar. De uma morte aparente em que não deveria estar. De um coma profundo do qual precisava de me libertar… Devolveu-me à vida. Fez-me acordar. Deu-me novas esperanças de como me encontrar.

Eu sei que nada nesta vida é eterno. Eu sei que há coisas cujo tempo é efémero. Eu sei que o amor não surge por encomenda… Mas tudo o que faça precisa de emenda!

Há muito a ganhar e muito pouco a perder. Há muito, muito tempo que vivo a sofrer!

Há algum tempo alguém me deu um motivo para viver. Apenas para ter um pretexto para mo tirar.

Apenas porque queria ver-me sofrer. Morrer. Desaparecer!

Há algum tempo atrás decidi acordar do coma em que me encontrava mergulhada. Não o devia ter feito. Não me devia permitir tal evento.

Há algum tempo atrás decidi ser alguém. Pensar. Viver. Amar.

Nada havia no mundo que me desse esse direito. Nada tinha sido alterado e tudo devia permanecer como até aí tinha estado. Em coma. Morta para o mundo e para os sentimentos. Sem existir. Sem amar ou sentir...

Mas a hora de acordar tinha chegado. Para novamente amar. Para novamente viver. Para novamente sonhar. Sofrer e morrer.

Agora, no momento presente, sinto-me enganada. Sinto-me ultrajada. Sinto que, para além de mim há mais alguém a sofrer. Alguém que me despertou mas não me consegue fazer viver…

Porquê então acordar? Porque retomar uma vida durante tantos anos interrompida? Por amor? Ilusão?

Por momentos de ternura ou por uma breve paixão?

Há muito tempo atrás a minha vida acabou. Entrei em coma e morri. 

Nada nem ninguém tinha o direito de me despertar. 

De me fazer viver. De me levar a sonhar. 

De me convencer a acreditar que ainda poderia existir amor. Esperança. Vontade de viver…

Agora…

Só me resta esquecer

... e voltar a morrer.



Adelina Antunes
01-junho-2013

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