terça-feira, 25 de junho de 2013

Monólogo



Eu sei que estás aí! 

Que me ouves.

Que partilhas tudo o que digo. O que sonho. O que desejo.

Sei que, tal como eu, vives na esperança de que um dia algo possa acontecer.

Um gesto. Uma palavra. Um sonho mais profundo… 

um beijo!...

Um gesto de carinho que faça os sonhos despertar.

Sei que sofres tal como eu sofro, no entanto…

… descobri que não gosto de monólogos. 

Não gosto de falar sem obter resposta. 

Não gosto quando nada tens para dizer. 

Quando ouves em silêncio. Como se nada estivesses a perceber…

Reduziste-me a tudo o que não gosto, o que não quero sentir

Pelo menos..., podias fazer o favor de desaparecer. 

Um monólogo acompanhado é bem pior de suportar. 

Não quero os teus silêncios. 

Não suporto as ausências a que constantemente me submetes… 

na tua presença.

Não fiques se não é isso que queres fazer

Não estejas se isso te faz sentir desconfortável.

Sofrer

Sinto o que neste momento ambos estamos a sentir

e sofro…

Por nada poder fazer!

Reduziste-me a um monólogo ininteligível em que sou a única a falar

Um monólogo que és o único a ouvir, porque eu

Recuso-me a escutar!

Recuso ouvir os teus silêncios que me fazem sofrer

Que nos fazem sofrer

Sem que isso te importe

Sem que disso queiras saber

Reduziste-me a um monólogo mas no fundo

O monólogo não sou eu…

Somos nós!

Um monólogo onde ambos dizemos o que queremos dizer

Sem esperar que o outro responda… 

seja o que for

Uma conversa de surdos onde um fala sem que o outro consiga escutar…

Não gosto de monólogos!

Monólogos acompanhados onde cada um fala para seu lado

Sem ser escutado

Sem se deixar ouvir

Sem que um da presença do outro se consiga aperceber 

e no fim…

Ambos terminem a sofrer.



Adelina Antunes
25-junho-2013

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