domingo, 14 de julho de 2013

Aprender a confiar




Não me importo de lidar com o impossível. 

O impossível impulsiona-nos! Incentiva-nos. Faz-nos lutar! Sonhar…

Era tudo bem mais fácil se conseguisse entender. 
Há quem tenha os mesmos anseios. As mesmas loucuras. Os mesmos desejos.
Mas há quem arrisque confiar noutro alguém. Ainda que distante. Ainda que sirva apenas para desabafar. Ainda que nunca passe disso mesmo. De desabafos…

Há quem consiga ouvir sem criticar. Apreender sem corrigir. Ler e limitar-se a saber…

Há quem seja capaz de guardar segredos. Quem esteja disposto a enfrentar os nossos medos.

Há quem, sem nada pedir em troca, nos oiça, nos entenda, nos compreenda…

É preciso confiar. É difícil, eu sei. Dificilmente confio em alguém. Aliás, penso que nunca tinha confiado...


No entanto, e correndo o risco de ser enganada, decidi apostar. 

Não sei como isso aconteceu. Não sei quando aconteceu… sei que dei por mim a conseguir falar. Expressar-me! Comunicar.

Se fiz bem ou mal é uma questão que não se põe!

A dificuldade está em alterar situações. Alterar o nosso modo de enfrentar o mundo. Alterar o modo como nos enfrentarmos a nós próprios. No medo de sofrer desilusões…

Neste momento confio. Neste momento acredito. Neste momento sinto que seria capaz de fazer tudo pela pessoa que me levou a confiar.

Se este sentimento se manterá? Se não me virei a arrepender?

Quem sabe!... 

O futuro o dirá!


Não vou dizer que se tal acontecer não me importarei. Seria mentira. 

Mas sei que nada é eterno. Nem sequer a eternidade. Se tiver que acabar vou sofrer. Se me desiludirem vou-me arrepender. Desejar nunca ter confiado. Nunca me ter aberto. Nunca ter acreditado…

Mas vou recordar com ternura momentos passados. Vou vivenciar situações, conversas, emoções. 

Se olhares para trás verás que a tendência é recordar o bom e amenizar e menos bom. Tentar encontrar respostas para as más situações. Para as falhas. Para os erros. Para as piores opções.

Não há felicidade mas há momentos felizes. Não há alegria sem a comparação com a tristeza. Não há más recordações que não sejam matizadas por bons momentos.

Se um dia me vier a arrepender sei que, por muito que sofra, por muito que me recrimine, que considere injusto ou cruel, também vou recordar momentos agradáveis. Sei que irei tentar justificar todas as más recordações com os bons momentos. Ainda que não seja isso que deseje. Ainda que considere que tudo foi errado. Que foi tudo injusto. Tudo desajustado…

Porque sei que há sempre um mas, um mas que me fará pensar que as coisas não correram bem, mas esta ou aquela situação até foram agradáveis. Que afinal os momentos bons existiram. E sei que estes, lentamente, acabarão por superar os maus. 

A memória é algo extraordinário… releva as más recordações e suplanta-as com as agradáveis!

É essa a nossa esperança….



AA
 

08-dez-2012

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