segunda-feira, 1 de julho de 2013

Mudar de vida


Somos por vezes confrontados com decisões que temos que tomar mas que sabemos vai influir, não só nas nossas vidas como nas de outros que nos rodeiam. Que de algum modo estão ligados e nós e que serão, também eles, atingidos pelas decisões que tomarmos.

Consideramos muitas vezes que temos o direito de decidir por nós. De deixar de pensar nos outros quando é da nossa vida que se trata. Nada a dizer. Nada a declarar. Limitamo-nos a pensar no que queremos. No que consideramos ser a nossa melhor opção naquele momento. E agimos. Por vezes sem parar para pensar.

Decisões tomadas no calor do momento são muitas vezes penalizadoras para quem nos rodeia. Pensamos nos prós e nos contras, claro. Consideramos hipóteses, com certeza. Analisamos possibilidades… Mas sempre connosco no centro. Sempre de modo a ficarmos em primeiro lugar.

Afinal porque não devemos pensar em nós em primeiro lugar?

Em primeira instância é da nossa vida que se trata. A família é importante, claro. Mas não lhes estamos a exigir nada. A não ser que nos compreendam. Que aceitem as nossas decisões. Que nos permitam seguir em frente. Apanhar sonhos. Colher realidades. Que são nossos. Não lhes pedimos que se privem de nada por nós. Não lhes pedimos que sejam eles a mudar…

Comunicamos a nossa opinião. O nosso parecer. A nossa decisão. Sabem o quão importante para nós e reconhecermo-nos a nós mesmos. O quanto sofremos para aqui chegar e como precisamos mudar.

Sabem?

Será que nos demos ao trabalho de lhes dizer? De lhes dar a conhecer as nossas angustias? Os nossos medos? Os nossos sentimentos?

Ou será que nos escudamos no direito à nossa privacidade para nada lhes dizer? Que lhes pedimos que nos deixassem em paz. Que nos dessem aquele espaço de que sentimos necessidade, sem sequer pensar que esse mesmo espaço era também um pouco deles? Sem nos lembrarmos que não somos uma ilha e que há sempre alguém que partilha o nosso espaço. O nosso mundo. E que ao destruirmos esse espaço, que é nosso, estamos a destruir uma parte do espaço que lhes pertence? Que ao decidirmos mudar, embora não lhes pedindo nada, ao estamos a obrigar a mudar connosco? Que cada decisão só nossa tem repercussões só neles? Também neles?

Decidir mudar não é fácil. Não somos uma ilha e todas as mudanças, todas as alterações que façamos no nosso mundo, vão alterar substancialmente os mundos, os espaços e os tempos de quem nos rodeia.

Podemos mudar. Claro. Mas nunca numa atitude solitária. Nunca pensando que a mudança será apenas nossa. Que ninguém será afectado porque tudo e todos à nossa volta serão atingidos pelas nossas decisões. Todos eles terão que enfrentar uma mudança que não pediram. Que não desejaram. Que podem não querer.

Que pode fazê-los sofrer.

 

Adelina Antunes

01-julho-2013

 

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