quinta-feira, 18 de julho de 2013

Num dia como outro qualquer



Num dia como outro qualquer, sentada junto ao Tejo

Penso em desistir

Que nada mais me resta a não ser desaparecer

Poder fugir. Esquecer.

Num dia como outro qualquer sinto o meu corpo tremer

Invade-me o silêncio que a música preenche sem me satisfazer

A solidão, embora á minha volta sinta a multidão

Uma vontade louca de te ter por perto apenas para te ver

Para te dizer que esqueças que algum dia soubeste que me podias ter

Que me deixes. Me mandes embora ou outra coisa qualquer

Num dia em que sinto que não devia existir

Resta-me um espaço que não consigo alcançar

Sentimentos que não domino nem sei definir

Resta-me a vontade de nunca te ver

De nada mais precisar oferecer.

Nada mais me pedirem. Nada ter que dar

Ou pedir…

Num dia em tudo idêntico aos demais

Resta-me a vontade que não sejam iguais

Poder mergulhar no sono sem mais acordar

Sentir uma paz que não consigo sentir

Num dia em tudo igual aos demais

Preciso sentir que não me queres mais

Preciso partir sem porto ou destino

mergulhar nas brumas, no silêncio

Sentir que afinal, mesmo que morra, não faço falta

Não precisam de mim para o que quer que seja

Que mesmo que ande no meio da multidão

Ninguém me veja

Preciso de tudo e preciso de nada

Preciso ser eu



Em mim fechada

Sem ter que me abrir, sem ter que me dar, sem ter que sentir

Sem ter que amar

Odiar

Pensar ou sentir

Preciso esquecer

O mundo e tudo quanto ele representa

Preciso não ter existência

Um átomo apenas que pode circular

Para onde quer

Partir ou ficar

Sem nada sentir

Sem se preocupar.

Preciso ser eu

Ou não ser

Preciso….

Que esqueçam que existo para assim

Poder viver




Adelina Antunes

17-julho-2013

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