sábado, 13 de julho de 2013

"Vozes" virtuais



Páginas de Facebook, quantas vezes criadas sem imagem de perfil. Sem nada que permita ter a certeza sobre quem está do outro lado. Imagens sugestivas quantas vezes falsas. Quantas vezes ambíguas, demonstradoras de sonhos, de fantasias, de realidades não vividas mas apenas sonhadas. Que induzem quem as encontra a uma verdade mascarada apenas por aquilo que quer transmitir. A mentiras idealizadas que se fazem passar. 

O que nos leva a estabelecer relações com alguém pela Internet? O que faz com que confiemos em alguém que desconhecemos? De quem não conseguimos ter nenhuma referencia a não ser o que a própria pessoa nos transmite? Quando é que podemos ter a certeza de estarmos a falar com quem se diz ser? 

“Vozes” que se encontram algures na imensidão da Internet. Mensagens que se trocam sem saber ao certo com quem mas que queremos acreditar são de alguém em quem possamos confiar… 

Conhecer alguém que desperte em nós motivos de confiança. Que nos leve a acreditar. Que nos motive quando estamos desmotivados. Pode ser encorajador. Alguém que se disponha a dar-nos a mão. Que acredite em nós e nos diga que somos capazes. Que também nós temos valor e que há sempre uma saída, independentemente do tamanho do túnel em que estejamos envolvidos, é com certeza motivo para acreditar. 

E acreditamos. 

Acreditamos que há pessoas cem por centro reais que apesar de se “esconderem” por detrás de uma página de Facebook, são o que realmente aparentam. Sem fantasias. Sem ambiguidades. Sem mentiras… Como ter a certeza? Diria que, na maioria dos casos, optamos por arriscar! Tal como na vida “real” nem sempre as pessoas são o que mostram o mesmo pode acontecer na Internet. Diria que a confiança constrói-se independentemente de se tratarem conhecimentos reais ou virtuais…

E arriscamos! 

Arriscamos expor a nossa vida. Expor-nos! Dizer o que nunca diríamos a quem de facto conhecemos. A quem nos conhece… Se vale a pena? Se essa é uma opção correta? Quem sabe? Como saber?

Situações acontecem em que esse conhecimento que se aprofunda de um modo virtual, em que a proximidade é quase palpável apesar das distâncias, se torna real. Autêntico. Em que a virtualidade e palavras escritas numa tela de computador dão lugar ao contacto “cara-a-cara”. Arriscamos? Vamos ao encontro daquilo que achamos ser real e verdadeiro?

Quantas vezes surge a dúvida! Sim. Até podemos ter um conhecimento que consideramos real de alguém que conhecemos num mundo virtual. Até podemos ter acesso a fotos. A descrições de vida. A frases bem ou mal construídas. Mas… Serão reais? Corresponderão ao que a pessoa diz ser ou trata-se apenas de uma imagem construída? 

Mais uma vez alguns de nós decidem arriscar. Mais uma vez a confiança no ser humano e na sua honestidade (ou no que quer que seja que nos leva a confiar uns nos outros) nos leva a ir ao encontro de alguém que possa passar da virtualidade para o mundo real. 

E apostamos!

Apostamos num contacto que nos leva a percorrer quilómetros. Por vezes centenas, senão mesmo milhares de quilómetros… Porquê? Alguém merece esse esforço? Vale a pena passar por tal provação para conhecer alguém que pode não corresponder às nossas expectativas?

A resposta mais óbvia é que não. Quem se disporia a percorrer milhares de quilómetros para transformar um contacto virtual num conhecimento real? Quem seria merecedor de tal esforço? Por quem nos disporíamos a percorrer tais distâncias? A quem exigiríamos que as percorressem?...

Não é fácil de responder e por certo as razões poderiam ser as mais variadas. Não é fácil de aceitar por muito que os motivos sejam justificados. Não é fácil de dizer que afinal há quem o faça. Quem se dê ao trabalho de percorrer centenas e centenas de quilómetros. Milhares de quilómetros! Para transformar um conhecimento virtual num mais directo. Num conhecimento em que sinta que conseguiu confirmar tudo o que pensava sobre a pessoa em questão... Ou chegar à conclusão que afinal estava errado. Que não merecia a pena esse esforço.

Não é fácil… mas é real!

Ainda há quem confie a esse ponto. Ainda há quem arrisque a esse ponto. Ainda há quem aposte na hombridade do ser humano. Quem considere que vale a pena atravessar países para estabelecer contacto com alguém e transformar a virtualidade em realidade. Quem considere que a virtualidade, afinal, pode ser um canal de conhecimento real e honesto.

O que dizer a essas pessoas? Como lhes expressar o reconhecimento pela confiança depositada? Como demonstrar que também confiamos? Também acreditamos?

A virtualidade da Internet está cada vez mais “entranhada” na realidade que nos cerca. Sabemos que há casos de pessoas que não são quem se dizem ser. Que se “escondem” por detrás de imagens, de frases, de pensamentos ou do que quer que seja que lhes permita transmitir a imagem que querem transmitir e não a que corresponde à realidade… 

Felizmente também sabemos que há pessoas reais por detrás de todo este mundo digital. Pessoas dignas de confiança e capazes de nos estenderem a mão se precisamos. Pessoas capazes de nos acompanharem (ainda que à distância). Pessoas capazes de sair do virtual para o real e dizerem:

“Estou aqui…”.



Adelina Antunes
12-julho-2013

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