terça-feira, 10 de setembro de 2013

Amizades virtuais



Situações recentes fizeram-me sentir curiosidade em conhecer algumas pessoas. Duas particularmente. E é engraçado que quando manifestei a vontade de as conhecer ambas pareceram ficar receosas de se mostrar...

Este é um mal dos dias modernos. Todos temos uma página no Facebook! Todos participamos em diversos blogs, em chats de conversação. Muitos têm páginas pessoais, outros escrevem nas páginas de amigos, conhecidos ou mesmo de estranhos, mas quando alguém demonstra curiosidade em conhecer a pessoa por detrás do que escreve,... fecham-se!

Posso dizer que falo com conhecimento de causa, pois eu mesma sou um exemplo disso! Sou fechada, reservada e apenas me dou a conhecer a quem eu quero…

Mas quando digo que gostaria de conhecer alguém, não pretendo de modo algum “metralhar” essa pessoa com perguntas! Não é o facto de ser casada, solteira, alta, baixa, gorda ou magra que me diz o que quer que seja! Não nego que esses pormenores tenham algum interesse, claro! 

Gosto de conhecer a pessoa, tal como ela é! O que transmite pelo modo como fala, como pronuncia as palavras, que termos utiliza no seu vocabulário, pelos gestos que utiliza inconscientemente, pelo modo como se expressa, se se mostra nervosa ou à vontade em contacto direto...

Qual a postura do corpo? E das mãos? Qual o modo como olha para mim enquanto falamos…

Bem sei que posso perguntar e obter respostas! Mas para isso também posso pedir um currículo. Mas desse modo conheceria a pessoa, tal como se quer mostrar, e não o ser profundo que encerra!...

É esse que quero conhecer! 

É essa falta de conhecimento entre as pessoas que se sente cada vez mais nos dias que correm! Todos sabemos quem é quem. Todos temos dezenas se não centenas de amigos virtuais…

E amigos reais? Daqueles que não precisam falar para sabermos o que sentem? Onde estão? O que é feito deles?  

As amizades virtuais podem, de facto ser interessantes, mas não estarão a matar algo em nós? Esta humanidade que faz com que ao olharmos para um amigo sejamos capazes de lhes ceder um ombro para chorar, sem que necessitem de nos dizer que estão tristes?

Que sejamos capazes de os acompanhar, lado a lado pela rua, sem necessidade de trocar palavras pois ambos sabemos o que sentimos?

Que nos leva a dar os parabéns a um amigo que se aproxima antes ainda dele dizer que tem algo a festejar, pois basta vê-lo para o perceber?

Não tenho nada contra as amizades virtuais. Também eu tenho uma página no Facebook! Também eu tenho amigos virtuais…

Apenas me custa quando vejo que as amizades virtuais, apoiadas apenas no que queremos deixar passar de nós, estão a substituir as amizades reais...

E custa-me mais ainda quando sinto que as pessoas com quem até talvez gostasse de manter uma relação de amizade - amizade real, sincera, verdadeira - se retraem! 

Estaremos a entrar numa sociedade que privilegia o virtual desvirtuando o humano? 

Às relações sinceras e diretas? 



Adelina Antunes
21-04-2012

1 comentário:

  1. Mais vale tarde que nunca - li e gostei do que li! É um assunto sobre o qual reflicto. Às vezes sinto que, enquanto amiga, sou preterida por estranhos e conhecidos. Acontece que não estou com vontade de competir com isso! Quem quiser fica, quem não quiser, esfuma-se. Irene Veiga

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