terça-feira, 3 de setembro de 2013

"Aquele querido mês de agosto"



Já te conhecia. Já sabia muito de ti e já estava habituada a ter-te ao meu lado. A partilhar bons e maus momentos contigo. 

Já me conhecias. Muito mesmo. Noites e noites partilhadas. Horas e horas passadas na companhia um do outro. Que importam o tempo ou a distância quando se quer? Se deseja? Se sente que somos inteiramente um do outro?

Foram tempos difíceis. As contrariedades, as dificuldades e as provações pareciam não ter fim. Muitas lágrimas foram choradas. Muitas horas passadas em desespero. Valeu a companhia de um e do outro. Conseguimos manter-nos lado a lado. Unidos contra tudo e contra todos. A cumplicidade que antes já se fazia sentir foi aumentando até atingir limites inimagináveis. Dois corpos um sentimento. Duas mentes uma maneira de pensar…

Se exagero? Penso que não. Agosto encontrou-nos, juntou-nos e fez-nos vibrar. Viver momentos inesquecíveis. Vi o sorriso nos teus olhos. Vi, ouvi e senti a paixão na tua voz. Nos teus gestos mais que vistos ou sentidos… desejados. Cumpridos. Partilhados. Horas sem fim de uma proximidade, uma cumplicidade e uma ternura que nenhum de nós esperaria…

Amo-te? 

Amas-me? 

Que importa se o que sentimos ultrapassa todos os limites do imaginável. 

Amor é uma palavra bonita. Doce. Terna. Um sentimento que pretende abranger toda a grandeza do universo. No entanto não é suficiente para descrever o que sentimos. Não há no mundo palavra capaz de o definir. De o expressar. De dar a devida dimensão aos nossos sentimentos. Que importa se é ou não eterno? Que interessa quanto vai durar? Não consigo viver sem ti e tu sem mim não és capaz de viver! Etéreo. Efémero. Eterno… Definições que não utilizamos. Que nada nos dizem pois estamos juntos desde o início dos tempos e assim continuaremos.

Juntos.

Lado a lado numa viagem que nos leva até onde tivermos que ir. Num percurso sinuoso que nenhum de nós consegue antever…

Não fizemos promessas pois nada há a prometer. Não idealizamos desejos…

No nada que dissemos ou que não dissemos mas sentimos, conseguimos encontrar tudo. Somos o que somos sem mais nada desejar. Mas queremos muito. Queremos tudo e sabemos que somos capazes de o alcançar…

Lembras-te?  

Iniciamos uma viagem em que juntos transportamos a mochila onde os teus sonhos estão bem guardados. Disseste que era um presságio. Que estávamos a iniciar uma viagem que nos manterá unidos durante muitos e muitos anos. Décadas. Séculos. Por toda a eternidade.

Viajemos então!

Continuemos esta viagem iniciada no princípio dos tempos e que, aparentemente, irá continuar para além deles…

Agosto terminou. A loucura. A alegria. A ternura. O desejo… tudo quanto vivemos, sentimos, imaginamos ou sonhamos poderia ter ido com ele. No entanto… alguma coisa ficou!

Se não vejo o sorriso nos teus olhos é porque não consegues sorrir. Mas sei que está lá e que o voltarei a ver. Se não vejo o desejo, a paixão…, se não ouço o calor da tua voz, sinto-os no modo como me procuras. Cada palavra. Cada gesto. Cada olhar... Desarmam-me e fazem o Agosto voltar. 



Adelina Antunes
02-setembro-2013


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