domingo, 1 de dezembro de 2013

Pode ser... Alzheimer


Pequenas coisas que se esquecem. O que se fez. O que acabou de se dizer. Onde se esteve na véspera ou mesmo o que se comeu. Memórias recentes. Aquelas de que nos lembramos com mais facilidade, ou que aparentemente assim seria, e que é o que parece ter maior dificuldade em ser retido. Mas depois surgem outros distúrbios que podem variar de pessoa para pessoa e que poderão ser indícios de uma doença. Alzheimer. O simples facto de se pronunciar esta palavra faz com que muitos de nós se assustem. Todos conhecem alguém, familiar, amigo ou conhecido que sofre desta doença. Sinal dos tempos ou deterioração das mentes?

Quase sempre os primeiros sinais são imperceptíveis e desvalorizados. Quando a mãe, o pai, a avó ou o avô de esquece do que fez. Das datas importantes. De que tinha um encontro connosco, desvalorizamos e atribuímos ao avançar da idade. Se não sabem onde deixaram os óculos, o comando da televisão. Se não conseguem realizar pequenas tarefas do dia-a-dia. Desvalorizamos e voltamos a acusar a idade. Envelhecer é por si só um processo difícil e degenerativo pelo que os pequenos esquecimentos passam por fazer parte do processo.

Há no entanto sinais de alerta que devem, e podem, ser considerados. Analisados. Chamar a atenção. Se um esquecimento ocorre, é natural. Quem nunca se esqueceu onde deixou as chaves do carro? Ou de casa? Se o planear as tarefas diárias, o que fazer no trabalho ou como gerir as contas diárias levanta problemas… quem nunca os sentiu? Mas se a dificuldade é crescente e bem mais acentuada do que o habitual, algo pode estar errado.

Quem nunca sentiu que não se recorda de como se deslocou de casa até ao emprego? Também este sentimento pode ocorrer, mas em situações de cansaço ou de stress, no entanto se ocorre com frequência não se lembrar de como chegou ao local onde está ou de como fazer para chegar onde necessita de ir… este facto deve ser considerado como um sinal de alerta. A noção do tempo, das datas mais ou menos importantes ou mesmo da estação do ano em que se encontra é outra das situações que não pode ser descurada.

De entre os factores que poderão constituir sinais de alerta, a grande maioria passa facilmente por distracção, por desgaste, por envelhecimento. Todas elas podem não significar mais do que isso mesmo. Num mundo em que cada vez mais estamos embrenhados em milhentas tarefas diferentes e em que o descanso é cada vez menos considerado, estas situações ocorrem com uma gradual normalidade mas se a estas se juntarem problemas de discernimento de imagens. Dificuldade de expressar sentimentos, emoções ou mesmo palavras habitualmente utilizadas na linguagem comum. Se a estes se junta um afastamento social, dos colegas de trabalho, dos familiares ou mesmo um cada vez maior isolamento... Se as alterações de personalidade começam a ser uma constante. Se ocorrem súbitas alterações de humor - da serenidade ao choro ou à angústia - sem que haja qualquer razão para tal facto. Talvez esteja na hora de consultar um médico. De analisar a situação com base em conhecimentos especializados. Recorrer a técnicas e tratamentos que permitam, não só ao próprio mas também aos familiares e amigos, reconhecer que poderá estar presente uma situação de Alzheimer.

Sendo uma doença em que os sintomas são muitas vezes associados ao envelhecimento natural, quando nos deparamos com alguém portador desta doença o comentário mais usual é que se tratava de uma pessoa saudável. Em quem nunca tinham sido percebidos nenhuns sintomas de demência. Só depois, analisando em retrospectiva, reconhecemos que afinal estavam presentes. Que já se vinham a manifestar mas que sempre foram desvalorizados. Não que nunca os tivéssemos visto mas porque o próprio nunca os valorizou e porque nós, embrenhados num ritmo de vida cada vez mais alucinante e isolado, nunca nos apercebemos...




Adelina Antunes.

10-nov-2013

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