sábado, 7 de dezembro de 2013

Sobre as diferenças e o racismo



Em tempos, num trabalho que fiz, descrevi o prédio em que vivo como sendo “United colors” por me lembrar da sigla publicitária “united colors of Benetton”. De facto é um prédio onde a unidade cultural e rácica é bem evidente. Um prédio onde é possível encontrar casais multirraciais, onde convivem desde caucasianos a negros e indianos. Famílias multirraciais, multiculturais e que nem por isso têm mais ou menos problemas do que as tradicionais. Lembrei-me agora desse trabalho porque a morte de um líder levou a que todo o mundo se debruçasse sobre um problema que há muito não deveria existir. As diferenças raciais. A discriminação. O domínio de uns por outros que se consideram social, cultural ou racialmente superiores.

Apesar de todos os dias uma ou outra discriminação ser noticia, apesar dos jornais diários continuarem a divulgar casos de abusos de todas as espécies. De surgirem notícias como as que há dias nos surpreenderam sobre uma fábrica chinesa localizada em plena Europa, ter entre os seus trabalhadores (se não mesmo todos) escravos que ali se encontravam aprisionados dia e noite, sem qualquer direito e apenas com a obrigação de trabalhar… Apesar de em muitos países ainda existir a diferenciação racial ou cultural para não falar de outras. Apesar de tudo isso, tendemos a viver sem sequer pensar que as diferenças existem. Que continuam a existir abusos de poder, de confiança… Discriminação!

Por isso me lembrei dos residentes deste prédio. Cultural, social e etnicamente diferentes, vivem em comunhão de cama, de mesa, de espaço…  sem que seja necessário um grande líder que lhes diga que todos têm os mesmos direitos. Sem que para isso sejam necessárias lutas políticas, guerras ou jogos de qualquer espécie.

Não é um modelo mas podia ser. Não é reconhecido internacionalmente, aliás nem sei se mais alguém alguma vez reparou neste condomínio. A união entre raças é um dado há muito adquirido e ninguém vê nada de extraordinário nisso. Um simples prédio. Igual a tantos outros e que visto de fora em nada difere dos demais existentes na rua, poderia ser apontado como exemplo para muitos estados. Para variadíssimos países em que ser branco ou negro, em que professar esta ou aquela religião, em que ter esta ou outra qualquer crença, é motivo de discriminação.

Morreu um líder! Desapareceu o que para muitos foi, e continua a ser, um pai espiritual. E com a sua morte volta-se a falar de um flagelo que era suposto já não existir. Quantos mais morrerão? Quantos mais terão que sofrer por terem uma cor diferente? Por professarem uma fé diferente? 

Para quando uma unidade que poderia e deveria ser por todos considerada? Afinal somos todos iguais na diferença. Brancos ou negros, loiros ou morenos, de olhos castanhos, negros, verdes ou azuis… é na diferença que vive o individualismo de cada um. Mas é na igualdade que reside a força que faz de nós um povo. Muitos povos. Muitas raças. Muitos indivíduos. Muitas crenças, mas…

Uma única humanidade!


Adelina Antunes
07-dez-2013

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