terça-feira, 26 de agosto de 2014

Como nasce uma amizade?



Será possível escolher quem queremos como amigo? Será possível obrigar alguém a gostar de nós? A fazer com que nos considere amigos?

Que nos queira ao seu lado. Acredite. Confie em nós e considere que somos dignos da sua amizade? Do seu companheirismo. De estar ao nosso lado, e querer-nos ao seu lado, em qualquer situação?

Será possível construir algo baseado em promessas. Cedências. Na entrega unilateral?

Poderá a amizade “nascer” apenas porque uma das partes assim o entende?

Não há forma de forçar uma amizade. Não importa quanto se tente. Quanto se entregue. Quanto se ceda. Por muito que se queira. Por muito que se esforce esta acontece ou não acontece. E quando acontece… é por si mesma!

Não é porque consideramos que alguém deve ser nosso amigo que entre nós surge, como que por magia, aquela confiança. Aquela entrega. Aquele sentimento de que, aconteça o que acontecer, estaremos juntos. A amizade constrói-se, é um facto, mas com base na confiança. Na cedência mútua. No companheirismo. Na não dependência.

A verdadeira amizade não pede. Não exige. Mas também não cede. Não pede que o amigo seja desta ou daquela maneira. Que faça isto ou aquilo só porque é amigo. Não exige assim como não cede só porque o “amigo” assim o quer. Um amigo é alguém especial que, mesmo quando não está connosco, sabemos que nos apoia. Ainda que também saibamos que, se for necessário, é capaz de nos repreender. Nos chamar à razão. Aplaudir-nos quando estamos certos mas os primeiros a dizer-nos quando estamos errados.
Alguém disse um dia que o amigo é o primeiro a estender-nos a mão quando caímos… depois de conseguir parar de rir. Na realidade aquele que, quando pára de rir é capaz de nos estender a mão, pode e deve ser considerado um amigo. Afinal ele não nos abandonou.

É compreensível e até razoável que o amigo seja o primeiro a criticar-nos. A contradizer-nos. A “dar-nos na cabeça” quando merecemos, pois é o amigo a pessoa que está em melhores condições para nos conhecer. Saber o que está certo e reconhecer o que está errado. Porque nos conhece. Porque se interessa. Porque se preocupa…

No entanto alguns (talvez muitos) de nós, não gosta de receber criticas. Ainda que vindas de amigos. Ainda que construtivas. Uma crítica, quando construtiva, ajuda-nos a crescer. A sermos mais nós próprios. A identificar o certo e reconhecer o errado. Claro que temos a família mas esta por vezes está demasiado envolvida. Demasiado próxima ou com demasiado medo de nos magoar.

Um amigo, um amigo de verdade é capaz de nos magoar? De nos fazer sofrer? É bom que seja! É bom que tenha amizade suficiente para saber quando deve ou pode magoar. E que tenha a presença de espírito que, por vezes, nós não temos.

Valorizar a amizade passa também por aí. Por saber que, mesmo quando nos magoa, o amigo o faz pelas razões certas. Pelas razões que, dado o nosso estado de espírito, não conseguimos ver ou não queremos aceitar.

Valorizar as atitudes dos que nos querem bem leva a que muitas vezes tenhamos que acreditar no inacreditável. A confiar no que não nos parece confiável.

Não é fácil, mas o que é que é fácil nesta vida? As dificuldades existem apenas e só para serem ultrapassadas. Sozinhos, sentimos muitas vezes que o desespero é a única opção. Sozinhos, perdemos o rumo demasiadas vezes. Sozinhos, sofremos não só pelo que nos consome, mas também pela solidão que nos envolve.

Não é fácil conquistar uma amizade e é, por vezes, demasiado simples perde-la!

Não é fácil aceitar críticas de amigos, mas é bem mais doloroso quando estas vêm de outros que mal nos conhecem. Que não compreendem, não entendem ou que desconhecem a nossa realidade.

Não é fácil manter uma amizade. Até porque muitas vezes ela está em quem menos esperamos. Naquele que nunca pensamos que pudesse ser nosso amigo.

Não se consegue forçar uma amizade. Mas devemos ser capazes de nos forçar a entender uma amizade. Saber quando ela é sincera e… procurar não forçar.

Não se fabricam amizades. Mas quando estas surgem… é algo mágico que devemos cultivar. Com os seus altos e baixos. Com as suas curvas e espinhos. Com amarguras, choros e abraços…

Mas sempre com muita amizade!



Adelina Antunes

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