sexta-feira, 15 de agosto de 2014

"E"terno



Espero que digas o que tens para me dizer. Uma espera que cansa pois não há meio de o fazeres. Volteias com as palavras que esgrimes com mestria num vaivém desconcertante. Penso se de facto sabes o que queres. O que sentes. O que tens afinal para me dizer que custe assim tanto? Acaso não nos conhecemos o suficiente para que possas falar com o à vontade que te é caraterístico?

Penso que a dificuldade está no facto de me quereres dizer que está tudo acabado entre nós. Que nada mais existe… é isso que queres dizer-me?

Que aquele amor eterno que sempre prometeste, não era assim tão eterno? Que chegou ao fim? Porque temes dizer tal coisa? Acaso não foi lindo, maravilhoso enquanto durou?

A noção de eternidade tolhe-te a facilidade de falar. De te exprimires. Não sabes qual o seu significado e confundes “eterno” com “para sempre”…

Separa a palavra. Se “para sempre” é composto por duas palavras, faz com que “eterno” também o seja. Vais ver que é mais fácil.

Retira a essência do que realmente queres (quiseste) que seja eterno. Não te deixes distrair por devaneios que nada têm a ver com o assunto.

Lembra-te dos dias e noites passados. Do que sentias. Do que sentíamos. Do quanto eramos importantes um para o outro e de como, sem mim, a tua vida não fazia sentido!

Lembra-te das vezes que pronunciaste a palavra “amo-te” e do quanto ela foi sincera. Um amor pleno! Cheio de desejos, de fantasias, de sonhos e de esperanças. O que sentiste de cada vez que o disseste? Lembras-te? Foste sincero?

As juras de amor que fizeste (que fizemos). Os sorrisos que nasceram nos teus lábios. O brilho no olhar quando olhavas para mim e me sentias tua… A sensação de plena felicidade quando mergulhávamos em noites sem fim… eras tu! Era eu! Eramos nós e uma plenitude de sentimentos diversos. Dispersos. Unos. Grotescos. Sinceros. Contraditórios… Eramos o que de mais importante existia no universo. Dois seres… um único verso!

Lembraste? Amamos e fomos amados como dificilmente alguém o conseguirá ser alguma vez! Que importa se acabou? Foram os momentos mais poderosos e intensos de toda a nossa existência. Se se poderão repetir? Quem sabe?

Se um dia encontrares (se eu encontrar) alguém que tenha para te dar tanto quanto recebeste, ou mais ainda, o que irás fazer? Recusar? Claro que não a não ser que de todo consideres que não o mereces. Que não lhe consegues corresponder! Aceita-o! Vive-o! Com toda a intensidade e paixão que o teu coração o permita. Não penses em nós, mas se por acaso o fizeres, pensa no quanto fomos felizes enquanto durou. Eterno! Não, espera… deixa-me reformular: ETERNO! A capitalização das letras contribui para a dimensão do que realmente foi: ETERNO.

Sugeri que separasses a palavra. Que tal como “para sempre” transformasses “Eterno” em duas palavras. Não foi em vão nem sequer por pura nostalgia mas apenas para que tomasses consciência da palavra em si. É difícil de aceitar que algo que consideramos “eterno” termine. No entanto essa dificuldade prende-se com fatores tão subjetivos que nem sequer damos por eles. “Eterno, ainda que dure apenas um segundo” Embora não seja a frase exata é o que costumo dizer e que tantos criticam porque não entendem.

Pensa, amor! Um dia, quando estiveres no outono da vida e olhares para trás, vais recordar todos os momentos porque passaste. Vais sorrir a cada doce recordação do mesmo modo que vais pensar em como poderias ter evitado as más… Sejamos pois uma recordação que, para além de um sorriso, tenha o poder de te “incendiar” de te fazer reviver cada minuto, cada segundo passados juntos. Não importa quantos minutos, horas dias ou anos passaram depois disso ou com quem. Apenas que te lembres de nós e que… um sorriso ilumine o teu rosto pois, se isso acontecer, o nosso amor foi eterno.

“Eterno” “Para sempre” ou como lhe queiras chamar. Desde que pleno de ternura. De desejo. De amor.

Não é pelo tempo que dura mas sim pelo que lhe consegues impregnar de amor. Sentimento e ternura. Separa a palavra (se fores capaz de o fazer) e vais ver que para que algo seja “eterno” basta apenas que seja “e terno”!

Pleno de ternura. De amor. De sentimentos ou desejos. Mais do que “eterno” que seja “e terno”!

Retira-lhe o “e” se por acaso te faz confusão. Guarda apenas o que vale a pena ficar em teu coração. Um amor. Um sentimento. Um gesto. Um momento. TERNO. E TERNO!


Adelina Antunes


Sem comentários:

Enviar um comentário