terça-feira, 17 de março de 2015

Momentos




Há momentos na vida em que nos sentimos compelidos a falar sem que importe o que os despoleta. Uma frase. Uma pergunta. Um comentário ou apenas algo tão subjetivo como uma imagem ou recordação.

Há momentos em que discorremos sobre o passado, o presente ou o que sentimos sem ter em conta quem está ao nosso lado.
Há momentos em que tudo o que dizemos não é para ser respondido. Não é sequer para ser ouvido mas mesmo assim… falamos!


E dizemos algo há muito preso na alma e que nos faz sofrer.
Algo guardado no mais intimo do nosso ser e que não desejaríamos nunca dar a conhecer.

Apagar as palavras. Torná-las mudas e sem sentido. Impercetíveis e não sujeitas a qualquer resposta é a intensão imediata mas nem sempre possível.

Há palavras escritas que jamais se esquecem.
Palavras ditas que embora esquecidas, volta não volta, aparecem.

Há situações adversas que se mostram complexas, não pelos outros mas por nós.

Pelo que nos atrevemos a expressar sem querer.

Pelo que sofremos na expectativa do que iremos ouvir.

Há respostas que não surgem quando mais as esperamos.

Comentários que não são feitos por muito que os desejemos.
Há silêncios incómodos que se tornam perfeitos
pelo momento!

Pelo que dissemos e não deveria ser dito.

Pelo que expressamos sem querer.

Por imaginar que respostas poderíamos ouvir. Que comentários poderiam fazer.

As frases feitas. Os “eu bem te disse!” Os conselhos que não queremos, ora por incómodos, ora porque os conhecemos.

Há momentos que nos despertam para uma realidade diferente que nos leva a divagar por respostas possíveis, prováveis ou mesmo impossíveis e nos fazem pensar.

Sem julgarmos ou sermos indulgentes, culpamo-nos por factos ligeiros, banais, cruéis, destemidos, grosseiros ou superficiais que marcam a alma ainda mais que o futuro.

Sem advogado ou algoz. Sem defesa possível… Sem qualquer arbítrio ou direito a resposta. Sem pedir conselhos ou opiniões…
Impuníveis. Puníveis. Culpados ou inocentes. Apenas porque somos donos da verdade. Objetiva. Subjetiva. Seja ela qual for…

E as opiniões, os conselhos, as frases amigas. Tudo quanto poderia ser dito ou feito, perde a oportunidade, o momento e o jeito.

Talvez por receio. Talvez por respeito. Talvez por inoportuno ou por se acharem “sem jeito”.

Não falam. Não julgam. Não se manifestam…

Não apoiam. Não acusam. Não agridem nem contestam.

E a coragem que surgiu num momento tão raro, esvai-se no silêncio, no tempo e no espaço.

Na esperança de um sorriso. Um gesto. Um abraço. Uma frase que acuse ou nos diga inocente.

Algo que mostre que não ficou indiferente.



Adelina Antunes

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