quarta-feira, 18 de março de 2015

Todos nós temos silêncios!



Nem sempre o silêncio é a ausência de som como nem sempre é preciso estar em silêncio para se sentir o silêncio. Pensar numa ilha deserta. No mar. Na imensidão do deserto. Numa sala completamente vazia pode ser uma imagem de silêncio. Uma noite calma no campo. Uma rua deserta na cidade. Tudo isto pode ser designado por “silêncio”. Mas este é um silêncio que nos rodeia. Um silêncio em que estamos inseridos. Em que, momentaneamente mergulhamos enquanto o nosso cérebro se mantém completamente ativo e, quem sabe, repleto de música, alegres canções ou melodias divinas e maravilhosas.


O “nosso silêncio”, aquele que todos temos, é no entanto algo completamente diferente. Não se manifesta pela ausência de sons sejam eles de que espécie for. Não se carateriza pelo facto de estarmos calados ou de estarem em silêncio à nossa volta. Não se prende em salas vazias do mesmo modo que não se encontra no deserto, no mar nem na montanha. É antes algo que está bem patente dentro de nós. Que nos fere de tal modo que somos incapazes de reagir. Que calamos porque não sabemos como definir ou porque não queremos que ninguém o conheça.

Silêncio que fere. Magoa. Tolhe o pensamento e amordaça a alma. Silêncio provocado pelas feridas que alguém nos provocou e das quais não nos conseguimos libertar. Pela culpa. Pela dor. Pela vergonha. Silêncios criminosos capazes de matar ao mesmo tempo que se mascaram com sorrisos. Palavras simpáticas. Atitudes mais ou menos corretas, mais ou menos cordiais, mas que aumentam a cada sorriso forçado. A cada palavra escondida. A cada gesto ou sentimento mascarado.

Porque há coisas que não deveriam acontecer. Pelas quais nunca deveríamos passar. Sentimentos que não merecíamos conhecer mas que nos forçaram a sentir…

E crescem os silêncios e com eles quantas vezes a raiva. A dor. A culpa. A vergonha. O ódio…

Todos nós temos silêncios. Todos nós merecemos a oportunidade de nos libertarmos desses mesmos silêncios. Grita-los ao mundo para que os oiçam e neles se revejam porque por muito nosso que seja. Por mais doloroso, angustiante, castrante… Há sempre alguém que já o sentiu. Que passou pelas mesmas dores e as calou. Que criou silêncios dos quais nem sempre tem consciência mas que o fazem sofrer. Que o isolam do mundo e da vida. Que precisa ser quebrado para que dele se possa libertar.

Todos nós temos silêncios mas temos também a capacidade de nos libertarmos. De procurar a música que os possa quebrar. Gritar se assim o quisermos ou se assim tiver que ser.

Não há silêncios fáceis. Não há silêncios belos. Não há silêncios de que nos possamos orgulhar mas também não há silêncios de que tenhamos que nos envergonhar.



Todos nós temos silêncios mas esses silêncios têm que acabar!




Adelina Antunes

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